de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 26 Dezembro , 2009, 23:17
BACALHAU EM DATAS - 53






RUMO AO FUTURO








Caríssimo/a:


1975 - «Em 1975, já não seria armado qualquer navio de pesca à linha. O NOVOS MARES o único “navio de linha”que regressara dos bancos no ano a Revolução – seria transformado para a pesca com redes de emalhar.» [Oc45, 90]

1977 - «Portugal foi dos primeiros estados europeus a aderir ao conceito de “zona económica exclusiva” que seria vertida no Direito internacional a 28 de Maio de 1977. Acérrimo defensor do princípio da “liberdade dos mares” durante vários séculos, Portugal subscrevia pela primeira vez um conceito “estratégico” de “Estado costeiro” de todo incompatível com os interesses da pesca longínqua.» [Oc45, 104]

1983 - «Em 31 de Maio de 1983 são aprovados os novos estatutos da Obra do Apostolado do Mar;


Em 6 de Julho de 1983 é nomeada pelo Bispo de Aveiro, a Direcção da Obra do Apostolado do Mar, com sede no clube "Stella Maris" de Aveiro, sito na Rua dos Bacalhoeiros, da paróquia da Gafanha da Nazaré.


No dia 18 de Setembro de 1983, dia da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, foi possível celebrar a bênção e lançamento da primeira pedra da nova casa do Stella Maris.


Em 1982, graças a um subsídio do Governo, foi possível iniciar o processo de construção do actual edifício do Stella Maris, para substituir o antigo pavilhão pré-fabricado.


Esta primeira fase, que importou em 13 mil contos, foi inaugurada no dia 10 de Novembro de 1985. Presidiu à cerimónia da bênção do novo edifício o Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade.»[v. Galafanha]



1993 – A 17 de Novembro é constituída a Associação dos Industriais do Bacalhau, cuja sede se situa na Gafanha da Nazaré, e que procura «contribuir com eficácia para o desenvolvimento do sector em geral, e das empresas em particular, prestando informação concreta e actualizada sobre as diversas matérias inerentes à actividade, como sejam as de carácter económico, financeiro, social, ambiental, fiscal e aduaneiro.»

1999 – Fundação da Confraria Gastronómica do Bacalhau com o objectivo de activar e desenvolver mais a confecção de produtos relacionados com o bacalhau.

2005 - O Comércio do Porto, de 3 de Julho, noticiava uma “operação de charme norueguesa junto de industriais de bacalhau”. Aí se afirma que “a Noruega fornece cerca de 50 por cento do bacalhau consumido pelos portugueses, seguida pela Islândia e Rússia, 20 por cento cada, e Canadá com 10.”

Neste mesmo ano, a 21 de Dezembro, o Correio do Vouga informava que o Museu Marítimo de Ílhavo, sob a direcção de Álvaro Garrido, estava “a concretizar um projecto que visa recolher e arquivar a memória oral da pesca do bacalhau, de modo a [permitir] uma posterior investigação desse património imaterial”.

2008 - «Despedidos 219 pescadores Bacalhoeiros imobilizados: O armador de Aveiro e presidente da Associação dos Armadores da Pesca Longínqua, Silva Vieira, despediu 219 pescadores dos 700 trabalhadores da sua frota por dificuldades financeiras, e admitiu mais despedimentos noutras empresas do sector. Silva Vieira revelou que estudos efectuados por esta associação – cujos armadores associados empregam 2000 pescadores – mostraram que os proprietários dos navios de pesca longínqua “não têm viabilidade económica a curto e a longo prazo”, dada a escalada dos preços dos combustíveis. Este armador, que tem uma frota de 20 navios, acrescenta que os navios da pesca longínqua são dos mais penalizados porque “são os que mais consomem combustível”, mas toram abandonados e esquecidos” pelo Governo. Garantindo que o aumento dos combustíveis tornou “incomportável” a exploração das suas embarcações, responsáveis por 44,44% das quotas de bacalhau em Portugal, decidiu imobilizar, pelo menos até final do ano, quatro dos seus navios de pesca longínqua e dois da costa portuguesa.» [Global, de 13/06]

2009 - «SANTA MARIA MANUELA navegou até à Galiza» para proceder à fase final da sua recuperação, pois, em 2010, o navio iniciará actividades de turismo cultural e promoção económica. [Correio de Vouga, 7/01]

«Navios aveirenses rumam ao Atlântico Norte», atendendo ao aumento das quotas de pesca e à baixa dos combustíveis. [Correio de Vouga, 14/01]

«Nova Avenida dos Bacalhoeiros deve estar pronta ainda em 2009», nova via, ligando a A25, junto à Friopesca, ao terminal de granéis sólidos e líquidos do Porto de Aveiro, junto à Ponte da Barra. [Correio de Vouga, 14/01]

«Museu Marítimo [de Ílhavo] vai ter aquário de bacalhaus» e um Centro de Documentação e Investigação do Bacalhau. [Correio de Vouga, 14/01]

«Bacalhoeiros recuperados para o turismo», titula o Global, de 7 de Abril, focando as intervenções que estão a sofrer o SANTA MARIA MANUEL e o POLYNESIA, que voltará a chamar-se ARGUS.

«Bacalhau do Canadá regressa a Portugal


Portugal poderá trazer da costa canadiana 1070 toneladas de bacalhau no ano que vem. Com a reabertura do espaço NAFO, os armadores portugueses poderão vir a aumentar a quota total de pesca da espécie.


"Ao fim de 11 anos recuperámos as quotas de bacalhau da NAFO", anunciou, ontem, o ministro português das Pescas, em Bruxelas, no conselho dos 27 para decidir os totais de captura para 2010.


A NAFO é a sigla inglesa para Organização de Pescas do Atlântico Noroeste que inclui, entre outros países, o Canadá.


Os pescadores portugueses poderão trazer 1070 toneladas de bacalhau dessa zona que esteve fechada durante 11 anos para a recuperação das espécies (bacalhau e peixe-vermelho). É um montante a repartir pelos 13 navios nacionais da pesca longínqua, sendo que cada uma destas embarcações tem uma capacidade média para 900 toneladas de pescado nos porões.


A dúvida, segundo o ministro António Serrano, é se a quota da NAFO entra em vigor em Janeiro ou de forma progressiva após o acordo com a Noruega. "Estamos satisfeitos com o que já conseguimos para o bacalhau", explicou ontem o ministro António Serrano.


As quantidades colhidas ao largo do Canadá serão somadas às colhidas no mar da Noruega quando haja acordo para tal. A UE e a Noruega fracassaram um entendimento sobre as possibilidades de pesca para o ano que vem por divergências sobre a colheita da sarda. "Se houver acordo com a Noruega nós podemos ultrapassar as quatro mil toneladas" de quota de bacalhau, mas só em Janeiro se saberá, quando forem retomadas as negociações com Oslo.


Segundo Miguel Cunha, presidente da Associação de Armadores de Pescas Industriais, a decisão da retoma da pesca ao largo do Canadá "vem dar razão" à associação que diz que "que aquela zona estava em condições de receber um maior esforço de pesca" e que o "stock de bacalhau não estava em tão mau estado" como lhes teria sido informado...» [JN, 15/12/2009]

E forçoso é terminar com esta última notícia que deixa um rasto de profunda esperança!

Além de Esperança, muita Paz e Alegria com os votos amigos de uma saúde esfuziante para o 2010 que aí está!

Manuel

NOTA: Permitam-me que agradeça publicamente ao meu amigo, conterrâneo e familiar, a dedicação com que elaborou este trabalho, sobre a Saga dos Bacalhaus através dos tempo, fixando para a posteridade uma síntese, pescada aqui e ali, com a meticulosidade que lhe é característica. Obrigado, Manuel, que o mesmo é dizer, Manuel Olívio da Rocha. E como bom amigo e gafanhão de sempre, amante da sua e nossa terra, embora metido, há dédacas, na cidade invicta, vai continuar connosco com outros temas. Quem adivinha?
 
FM
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 26 Dezembro , 2009, 22:38
A igreja portuguesa mais antiga nos Estados Unidos, que fica em New Bedford, no estado do Massachusetts, corre o risco de fechar em 2011, se até lá as suas missas não tiverem maior afluência e não for angariado o dinheiro suficiente para reparar o telhado roto.
Foi a primeira igreja construída para os portugueses que emigraram para os EUA no século XIX. Leia aqui.


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Editado por Fernando Martins | Sábado, 26 Dezembro , 2009, 19:24


FAMÍLIA E FUTURO DA HUMANIDADE


“O futuro da humanidade passa pela família” – afirma João Paulo II no documento sinodal que recolhe as intervenções dos representantes dos bispos católicos de todo o mundo reunidos em assembleia para “fazer o ponto da situação” a esta instituição conatural ao ser humano e configurada de modos diferenciados pelas culturas.
A família está ao serviço da pessoa e insere-se na sociedade com a qual mantém um relacionamento constante, recebendo e dando impulsos positivos e negativos. O que acontece nesta repercute-se necessariamente naquela e manifesta-se no tipo de pessoa que se pretende alcançar.
Esta perspectiva humanista serve-me de referência para dar o meu testemunho sobre a crise da instituição familiar, as políticas em curso para nivelar legalmente o que é diferente, a movimentação feita por vozes discordantes que pretendem criar uma opinião pública favorável e o silenciamento de outras que se lhe opõem.


Nasci e vivi numa família em que predominavam relações de amor fiel e generoso, de cooperação solidária, de atenção preferencial a quem estava necessitado e era frágil, de abertura ao futuro de cada um como o bem maior de todos nós. A fé cristã de meus Pais e, depois, dos meus irmãos mais velhos robustecia esta rede de suporte e entreajuda. A confiança constituía o ambiente em que fui crescendo e ganhando a sensatez indispensável a um equilíbrio saudável.
Como as dificuldades eram muitas, foi necessário exercitar outras capacidades virtuosas como a fortaleza, a prudência, a sobriedade, a temperança. Estas capacidades constituem o alicerce do amor, fruto de quem ama e é amado, sem esperar outra recompensa. Embora inclua a justiça, sempre necessária para viver o que é justo entre as partes, supera-a qualitativamente pois tende a expressar “o nós” que surge da comunhão entre elas e do respeito pelas suas diferenças.
O “húmus” da casa materna encontrou um fortificante na escola. A escassez de meios foi superada pela dedicação e competência das professoras e pelo companheirismo dos colegas. Também a paróquia com os seus serviços, sobretudo o da catequese e o da missa dominical, marcou indelevelmente o meu modo de ser e de agir. Como cidadão e como cristão, ou melhor como cidadão crente em Jesus Cristo e no seu dinamismo de amor pela felicidade integral de toda a humanidade.
A família surge claramente como o serviço por excelência à pessoa humana, a comunidade de amor e de vida, alicerçada no núcleo matrimonial heterossexual, inserida na sociedade à maneira de “célula” no organismo vivo, aberta a outros espaços culturais e religiosos. Estou convencido que a sociedade só ganha com uma equilibrada relação com a família e que os adjectivos “tradicional” ou “convencional” empobrecem a riqueza do sentido que esta comporta enquanto comunidade.
Outras formas de organizar a vida, de estruturar os afectos, de regular juridicamente as relações entre parceiros do mesmo sexo ou de configurar socialmente a sua identidade e o seu estatuto hão-de ser designadas de modo adequado à sua situação que é necessariamente diferente da família, tal como a compreendo e a valorizo.
Estou convencido que o futuro pertencerá a quem souber “gerir” bem a realidade “família” e dar razões sérias para a sua constituição e vitalidade.

Georgino Rocha


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Editado por Fernando Martins | Sábado, 26 Dezembro , 2009, 16:36


O que é o tempo?

No termo de mais um ano e na entrada de outro, são muitos os pensamentos que nos invadem. Mas talvez não seja fora de propósito também uma breve reflexão sobre o mistério do tempo.
Já Pascal se interrogava na perplexidade: porque é que, num passado ilimitado e num futuro igualmente sem limites, me coube viver precisamente neste tempo que é o meu?
Se soubéssemos o que é o tempo, também saberíamos o que somos. Santo Agostinho - volta-se sempre a Santo Agostinho, quando pretendemos meditar sobre o tempo - pergunta: O que é tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; mas, se alguém me puser a questão e eu quiser responder, já não sei.
Há múltiplas experiências e perspectivas do tempo. Aparentemente, tudo vai e tudo volta. As estações do ano repetem-se, sucessivamente: Primavera, Verão, Outono, Inverno, e outra vez Primavera, Verão, Outono, Inverno... Cada ano, o ano velho despede-se e chega o ano novo. Outra vez. Aí está o mito do eterno retorno, como repetiu Nietzsche: "Esta vida, tal como a vives naturalmente, tal como a viveste, é necessário que a revivas mais uma vez e uma quantidade inumerável de vezes, e nela nada haverá de novo, pelo contrário!"

A flecha do tempo é irreversível. O tempo é voragem, corre e flui, desaparece. Corre do futuro para o passado. O passado passou, o presente vai-se tornando passado, o futuro também ele se vai transformar em passado, de tal modo que temos o passado passado, o presente passado, o futuro passado, como se a história não fosse senão o lugar dos mortos: a curto, a médio, a longo prazo, todos iremos estando mortos. Mesmo a memória tem algo de ilusório, pois, quando lembramos o passado, é sempre a partir do que somos no presente que o alcançamos e vivemos, já diferentes e outros.
Afinal, o que é o tempo, uma vez que o passado já não é e o futuro ainda não é? Só o presente existe, mas, por outro lado, o presente o que é senão esse contínuo trânsito do futuro para o passado, do ainda não para o já não? Indestrutível mesmo é só o passado, pois nem Deus pode fazer com que o que foi não seja e o que aconteceu não tenha acontecido.
É sempre no presente que vivemos, mas projectados para o futuro. Mesmo o passado é sempre iluminado pelo futuro. O que vamos fazendo é em função do futuro, antecipando-nos a nós mesmos. Por isso, não coincidimos nunca completamente connosco: o homem "nunca é o seu próprio contemporâneo" (D. Huisman e A. Vergez). Mas, por outro lado, é no futuro que se encontra a morte, é nele que ela nos espera.
Com o tempo, tudo muda. Mas o "eu" transcende o tempo. Pela memória, pela atenção, pela expectativa, o espírito unifica os três modos do tempo numa certa simultaneidade: pela memória, temos o passado no presente; o presente actual temo-lo pela atenção; o futuro torna-se presente enquanto o esperamos.
Depois, o tempo é duração, ritmo. Como poderíamos ouvir uma sinfonia, se assim não fosse? E há aqueles instantes que são tangidos pela eternidade. A eles se referiu Platão, na Carta VII: "de repente", a iluminação da verdade! Qual é o tempo do amor, o tempo da criação, o tempo da liberdade, o tempo da decisão e da urgência? Cá está: há o tempo dos relógios - tempo quantitativo (cronológico) - e o tempo qualitativo (cairológico).
Por vezes, o tempo acelera; outras, parece parado. Actualmente, na aceleração vertiginosa do tempo, quando se pensa e se é?
Reflectindo bem, o tempo não é circular, cíclico, nem pode entender-se de modo exclusivamente linear, pois é linear e entrecruzado, numa rede de relações múltiplas e complexas. Cada modo do tempo tem ele próprio tríplice modo, isto é, um presente, um passado e um futuro, entrelaçando-se. O tempo e a história vivem deste entrelaçamento múltiplo, na constante abertura ao futuro.
Precisamente no quadro deste entrelaçamento, na abertura ao futuro, Deus, que é no eterno presente, é pensável como o Futuro absoluto, isto é, o Futuro de todos os passados, presentes e futuros. Deus enquanto Futuro absoluto consuma a história ao mesmo tempo que a abre ao sempre novo.

Anselmo Borges

Fonte: DN
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