de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 06 Agosto , 2009, 11:30

A maior cavaca de S. Gonçalinho

Já não chega fazer mais do mesmo


“A maior cavaca de São Gonçalinho” foi apresentada no dia 12 de Janeiro deste ano. Mordomos da festa e crianças do Centro Social Paroquial da Vera Cruz (CSPVC), em Aveiro, transportaram a cavaca, em procissão, desde a confeitaria encarregada da sua confecção até à capela do mais popular santo dos aveirenses. Junto à capela de São Gonçalinho, a cavaca foi partida e do cimo da torre, como manda a tradição, foi atirada, para que o povo a saboreasse.
O doce típico pesava 10,140 Kg, tinha 1,904 m de comprimento e 0,45 m de largura. Apresentou-se como candidata ao Guinness World of Records, tendo sido o acto testemunhado pelo Governador Civil de Aveiro, Filipe Brandão, pelo presidente da Câmara, Élio Maia, e pelo presidente da Associação Comercial, Jorge Silva
O acontecimento, referenciado pela comunicação social, teve, contudo, uma finalidade mais ampla: pretendeu envolver a comunidade aveirense na construção da Creche da Vera e do Cruz, daquele centro social. A instituição foi até ao povo e o povo ficou mais interessado pela construção da nova creche.
A ideia nasceu no âmbito do projecto AJUD’ARTE, concebido para promover iniciativas de angariação de fundos, aproveitando artistas de vários quadrantes, da região e não só.
Com a colaboração especial da Quinta Pedagógica de Aveiro e do Zé Pedro, guitarrista dos Xutos e Pontapés, padrinho oficial do projecto, estão convidados, como cabeças-de-cartaz, Manuel Alegre (escritor e político), Hélio Loureiro (cozinheiro da Selecção Nacional de Futebol), José Agualusa (relações públicas), Michel Chen (empresário de Circo), Joel Reigota (estilista), Cláudia Stattmiller (atriz), Ana Lia (bailarina), Rui Bela (fotógrafo), Fernando Silveira (acupunctor e mestre de artes chinesas) e artistas do AveiroArte.
O AJUD’ARTE, que se destinava a funcionar em 2009, “transformou-se num projecto com lógica para continuar, na perspectiva de que nós oferecemos alguma coisa, que alguém nos oferece a nós, e a comunidade, em troca, dá-nos o seu donativo, para que a instituição possa responder às necessidades das famílias”, garante-nos a directora de serviços da área educativa do CSPVC, Paula Hipólito.
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Paula Hipólito

Até ao presente, já funcionaram Workshops sobre Origami (arte japonesa de dobrar o papel), modelagem de balões, massagem Shiatsu, pintura com tinta-da-china sobre papel de arroz, Adobe Photoshop e Bijutaria com trapos, com a colaboração gratuita, respectivamente, de Elisa Silveira, Fernanda Silveira, Miguel Carvalho e Rosário Paiva. Ainda houve a organização de um jantar de angariação de fundos, um espectáculo de Magia Solidária, com Artur Santos, e animação musical de Michel, da organização 1000 Cerimónias. A participação no Cortejo paroquial – No caminho da esperança, dar-se é alegria traduziu-se num grande êxito. Também foi editado o livro Pelos Canais – Palavras e gestos que edificam, com textos dominicais do pároco da Vera Cruz, padre Manuel Joaquim Estêvão da Rocha.
É oportuno sublinhar que os artistas do AJUD’ARTE, afinal, acabam por ficar mais conhecidos, resultando daí o convite para participarem noutros eventos.
Em termos económicos, os resultados líquidos traduzem-se no contributo de quantos beneficiam dos Workshops e das demais iniciativas, sem que a instituição tenha grande trabalho com os eventos, para além do serviço voluntário que dirigentes e trabalhadores oferecem livremente, nas suas horas vagas.
“Porque o Estado não pode dar tudo, todos temos que nos envolver, porque somos todos cidadãos, sendo a responsabilidade de todos; A época é de crise, os donativos já foram maiores, toda a gente está um bocadinho a encolher-se; portanto, temos, devagarinho, de encontrar estratégias que nos permitam garantir a sustentabilidade das instituições”, adianta ao nosso jornal Paula Hipólito. E sobre a solidariedade, acrescentou: “A solidariedade não é só darmos o nosso dinheiro, mas o nosso tempo; neste caso, importa tornar mais visíveis as instituições; as instituições não são os edifícios, mas há outras coisas que não se vêem, como é o trabalho do dia-a-dia, o qual tem realmente importância junto das comunidades.”
A creche em construção, junto ao edifício-sede do CSPVC, apresenta-se com linhas modernas e todo o espaço foi concebido segundo as normas mais recentes. De cores airosas, tem capacidade para 66 crianças e 15 trabalhadores, o seu custo, com equipamento, ultrapassará os 630 mil euros. O PARES (Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais” co-financia a obra, tendo o Centro Social de angariar 300 mil. A abertura, para funcionar em pleno, está prevista para Setembro.


Uma instituição só faz sentido
se responder aos necessitados


Zé Pedro na Vera Cruz



O CSPVC foi criado em 1971, por iniciativa do então pároco da Vera Cruz, Padre Manuel António Fernandes, e desde essa altura mantém o espírito solidário, como sublinha a directora: “Uma instituição como a nossa só faz sentido se responder, a cada momento, aos necessitados que vão emergindo na comunidade; já não chega fazer mais do mesmo.”
Reconhece que há valências que nasceram há muitos anos atrás e que ainda hoje fazem sentido, “mas fazem sentido numa lógica de adaptação a novas realidades”. E sobre as ATL, esclarece: “houve mudanças, ao nível das estratégias políticas do Governo, pelo que houve necessidade de as readaptar, continuando a ser possível trabalhar com qualidade”. E esclarece: “Parar no tempo é que não podemos, temos de evoluir; as problemáticas vão surgindo diferentes, se calhar algumas com muitos anos de existência, mas com nuances diversas; as instituições têm de se reorganizar, tal como as empresas têm de se ajustar ao mercado.”
Paula Hipólito fez questão de salientar que as IPSS devem possuir capacidade de adaptação e de criatividade, para que as respostas sejam “cada vez mais inovadoras, com melhor qualidade”. E depois de referir que “a necessidade faz o engenho”, acrescentou: “se não existe dinheiro para construir uma creche de raiz, temos de abraçar esse desafio, lutando, por todos os meios, para arranjar forma de o conseguir.”
Nessa linha surgiu o AJUD’ARTE, um projecto entre tantos outros que o CSPVC vai dinamizando, até porque a questão das artes faz parte dos projectos educativos desta instituição. Aliás, a directora do centro social frisou que “as áreas artísticas têm grande potencial”. Nessa linha, os artistas, como é o caso, “estão a ajudar-nos a implementar esta acção, no sentido de a instituição chegar a toda a comunidade e de toda a comunidade chegar até à instituição; sempre com a criatividade como ponto de partida”.
Paula Hipólito considera que o voluntariado deve ser uma atitude recorrente, tanto nas IPSS como nas empresas, tendo em conta que, “se todos estiverem bem, eu estou melhor ainda; não podemos estar bem se ao nosso lado alguém estiver mal”.
E sobre a crise económico-social, adiantou que o CSPVC a sentiu significativamente, registando, nesta altura, 77 mil euros de mensalidades não pagas. Lembrou que esta realidade se deve ao desemprego e aos empréstimos contraídos pelas famílias. “Quando percebemos que, efectivamente, a família está a passar necessidades, há formas de a ajudar; baixamos as mensalidades e, em certos casos, canalizamos as pessoas para instituições ou serviços que as possam apoiar”, afirmou Paula Hipólito.

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 06 Agosto , 2009, 11:22

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 06 Agosto , 2009, 11:19


Sara Tavares tem um percurso singular na vida cultural portuguesa, conjugando sabiamente a sua condição de compositora, cantora percussionista, com a sua extraordinária sensibilidade musical e com a inteligência e dignidade, que tem testemunhado. Vale a pena ouvir o seu disco “Xinti, a sua mais recente criação, em que interpreta “canções memoráveis”, como escreveu o crítico do Financial Times. Podem conhecer melhor a sua discografia aqui e começar por ouvir “Ponto de Luz” (ver final deste artigo), uma das canções do seu último disco.

Para perceber melhor de que é feita a sua música podem ver aqui o excelente programa «Câmara Clara» da RTP 2, de 26 de Julho, em que Sara Tavares foi entrevistada por Paula Moura Pinheiro. É um prazer e alimenta “a sede de largura e altura” do nosso coração, para citar versos de “Xinti”.

A música de Sara Tavares, que se alimenta de uma grande sensibilidade e bom gosto, tem as suas raízes no gospel, na música litúrgica que cantava nos coros da Igreja Cristã em que se formou, mas abriu-se a muitas outras influências da música cabo-verdiana, africana e não só.


Leia mais aqui
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 06 Agosto , 2009, 11:09


Passo os meus quinze dias de férias, desde há alguns anos, num ponto de encontro de portugueses e de estrangeiros, estes, sobretudo, casais novos. Durante muito tempo, era a desolação. Praticamente não se viam bebés, nem crianças até aos cinco anos. O panorama foi-se transformando, a pouco e pouco.

Desde há meia dúzia de anos começou a notar-se uma mudança. Hoje é impressionante o número de casais europeus, sobretudo da Alemanha e Reino Unido, que vemos com os seus carrinhos de bebés. E já se encontram casais com dois e três filhos, espelhando-se no rosto dos pais, a alegria de os ter.

Há dias ouvi e li nos meios de comunicação social alguém do partido no poder a anunciar e valorizar do ponto de vista social o donativo do Estado, destinado a abrir conta a cada criança que nasce. Lá foi dizendo como isto constituía um incentivo para os pais e, também, uma garantia de a criança não vir a abandonar a escola. Fiquei à espera de mais alguma razão de esperança que, por fim, apareceu um pouco a medo, dizendo que também esta medida podia favorecer o aumento da natalidade.

A verdadeira pobreza nacional reside na baixa natalidade, favorecida de mil maneiras. Em Portugal de há muito que não está coberta a normal substituição de gerações. A pirâmide inverteu-se Há gente responsável que está convencida desta preocupante realidade e das suas causas, pessoais e sociais. Mas há gente acasalada que, de modo frenético, luta pelo direito, assim diz, de adoptar filhos que outros geraram. Uma criança não é um brinquedo, e adoptar não e um gesto de compaixão. A adopção é um caminho responsável e sério por onde, normalmente, não passam os que dão mais atenção a si e aos seus projectos individuais do que aos outros, por força de um amor verdadeiro.

Favorecer a natalidade não se compadece com uns euros depositados em conta de recém-nascido. Exige mudança profunda do clima humano e social que se traduz em favorecer a cultura da vida, ao arrepio da cultura da morte que, neste aspecto, os países da Europa, e também o nosso, estimulam e pagam. Por lá já se vê que estão acordar, por cá ainda se dorme a sono solto.

Evoca-se Fernando Pessoa, mas esquece-se o seu preciso testemunho, que não é senão fruto da sabedoria e do bom senso: “O melhor do mundo são as crianças.”

Outra observação de férias foi dar-me conta dos muitos avós em serviço. Chegam à praia mais cedo, com os netos e os seus brinquedos. Carregados de amor e paciência. Dispostos a ajudar sem contrariar muito, o que não é coisa fácil com crianças que se vão habituando a mandar muito e a obedecer pouco. E também chegam antes, com os netos pequenos, aos restaurantes, outra tarefa difícil que leva muitos avós homens a fazer aqui e na praia, com os netos, o que não fizeram com os filhos.

Mais bébés e mais avós activos e prestáveis são motivo de alegria e de esperança, um gesto que pode ser enriquecido com casais mais estáveis, consistentes e preparados para enfrentar os desafios do amor de sempre e da vida do dia-a-dia.
Se os partidos políticos, agora que cozinham e apresentam programas para ganhar votos e eleições, olharem a sério para as pessoas e para o essencial das suas vidas, para as defender a promover, estão a esperança não será vã.

Para tudo isto há que ter força para denunciar e não alinhar, como carneiros de olhos no chão, em muitas das opções e das ordens dadas por uma Europa anémica, onde o desvirtuamento dos valores fundamentais vai sendo regra. e as pessoas concretas pesam cada vez manos, não obstante o aparato mediático que nos quer convencer do contrário.
Ser europeu, cidadão da Europa, pode ser uma mais valia, mas não ser nunca pelo apagar de nós mesmos e dos valores em que se enraíza a nossa identidade. O barco europeu leva ao leme rostos escondidos. Por algo se escondem. Há que destapá-los.

António Marcelino
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