de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 07 Outubro , 2008, 23:18

Igreja Diocesana Renovada na Caridade
é Esperança no Mundo

"A Igreja de Aveiro dedicou o anterior ano pastoral ao serviço dos mais pobres. Não se esgotou a nossa missão nem se extinguiu em cada um de nós e na Igreja de Aveiro a generosidade e a caridade. Esta não acaba nunca. O serviço aos mais pobres exige atenção demorada e criativa. Implica proximidade e escuta. Necessita de persistência e de aprendizagem. Procura respostas novas e concretas para problemas novos e para pessoas concretas, únicas e irrepetíveis. É necessário ir ao coração dos problemas sociais para proteger os mais frágeis e promover a sua dignidade, fonte essencial de um novo olhar e de um novo agir. Um olhar e um agir guiados e iluminados pela esperança que nos move e que não engana. Contribuir para o bem comum e para a justiça social é responsabilidade de todos: pessoas individuais, Igreja e Estado. A acção da Igreja de Aveiro neste campo, as várias iniciativas programadas, as propostas de formação apresentadas, a Semana Social Nacional a realizar em Aveiro no próximo ano vão certamente intensificar e optimizar tanto bem já realizado e mobilizar toda a Comunidade nesta vanguarda de serviço afectivo e efectivo aos mais pobres. A pobreza não é uma fatalidade nem pode ser uma tirania a subjugar os mais frágeis ou desprotegidos. O bom combate da fé de que Paulo nos fala também é este: contra o mal, contra o pecado e contra a pobreza."
Da Comunicação de D. António Francisco na apresentação do Plano Pastoral, que decorreu no Seminário de Aveiro, na tarde de 5 de Outubro de 2008
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 07 Outubro , 2008, 16:46

A identidade da “regulação”

1. Sem dúvida que um novo cenário de mundo vai emergindo. Com mais intensidade que a dialéctica natural da história, em que mesmo com os arrepios das contrariedades vai crescendo na dinâmica da ascese, a certeza é que os tempos actuais são de recapitulação. Esta, por si, costuma ser redefinidora das ideias e das práticas. Já não há dúvidas que nada será como dantes. Os factores em jogo nesta crise internacional, quase um 11 de Setembro da economia em que todo o mundo está em rede, farão dela o centro de muita reflexão sobre como nos relacionamos com os factores socioeconómicos neste início do séc. XXI, na contagem ocidental.
2. O ajustamento em curso terá na palavra «regulação» o novo «eixo da roda» em torno do qual o futuro próximo se vai desenhar. A releitura do séc. XX, no diálogo (agora mais serviçal que bélico) dos dois sistemas de mundo, terá a oportunidade de procurar a síntese. Se salta à ribalta real o falhanço da completa liberdade na «lógica de mercado», esta, na justa análise adulta e honesta, não pode fazer esquecer que as lógicas estatizantes aprisionam a fluência saudável, necessária e natural das trocas de bens. É oportuno fazer lembrar a palavra dos sábios. João Paulo II quando lançava o olhar crítico sobre o comunismo destacava também as falácias do capitalismo, quando desregrado.
3. O desafio da ética económica é o novo imperativo que se ergue. Até agora também o foi na teoria; mas agora na prática. A confiança a recuperar não assentará mais na especulação mas na credibilidade, e esta conquista-se na ética da intocabilidade dos deveres comuns. Também pode brotar o perigo da «regulação» insubstituível dos Estados (que falhou porque as economias assim ditaram…) vir a significar controlo ou mesmo domínio. É uma fronteira difícil mas essencial a ressituar. O pior de tudo que poderia provir era o retorno dos paradigmas estanques. A verdade está no «meio» mas não abdica da ética universal. De todos!

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 07 Outubro , 2008, 14:26



Na história recente têm-se multiplicado os problemas sociais. De repente, quando todos imaginamos que o mundo rola sobre rodas afinadas, caem sobre nós os dramas de muitos povos, com catástrofes, crises económicas e sociais que ninguém soube prever nem evitar. Há tempos, sem que alguém o esperasse, a subida do petróleo disparou para valores inimagináveis. Com essa subida, toda a economia ficou baralhada, deixando os investidores confusos e os trabalhadores preocupados. Presumo que poucos possam imaginar os reflexos dessa subida de preços na vida das pessoas, sobretudo nas que vivem exclusivamente do seu trabalho ou das suas pensões de reforma.
Agora, aí temos a falência de bancos e de outras estruturas paralelas a afectarem o quotidiano de imensa gente, ao ponto de todos começarmos a olhar uns para ou outros, como quem espera respostas para as dúvidas em relação ao futuro. Infelizmente, não vejo quem possa apontar soluções para se ultrapassar a crise. O desespero invade o homem comum. A dúvida está em saber onde se encontra a porta certa para tranquilizar as pessoas. As políticas e os políticos começam a ficar confundidos. As reuniões e as decisões multiplicam-se, mas a crise está para ficar. E nós, com o velho hábito de acreditar que o mal só acontece aos outros, temos de começar a pensar que também nos pode chegar um dia destes. Com a economia, como é conhecido, a dominar tudo e todos.

FM
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 07 Outubro , 2008, 13:59
Escola da Ti Zefa, hoje oficina de bicicletas e motorizadas


Antigos alunos querem encontrar-se


Nos últimos dias, têm-se repetido as consultas, no sentido da viabilidade de um encontro de antigos alunos da escola da Ti Zefa. Alguns amigos, que por lá passaram, muitos deles há mais de sessenta anos, perguntam-me se será possível organizar uns momentos de convívio, para recordar e sobretudo para matar saudades.
A ideia, tanto quanto sei, partiu do José Maio, que não vejo há anos. Sei que emigrou e que já regressou, mas a verdade é que não o tenho visto. O mesmo acontece com outros, que o tempo tem abastado do nosso convívio.
De quando em vez lá me vou cruzando com um ou outro, e então há sempre uma troca de impressões sobre a vida, com o passado a marcar presença nas nossas conversas. E não faltam perguntas sobre este ou aquele colega que anda longe dos nossos olhares e dos nossos caminhos. Também vamos sabendo de um ou outro que já não está entre nós, embora se mantenha no nosso espírito.
Aos que me abordam sobre a possibilidade do encontro, digo sempre que estou disponível e que só aguardo ordens para aparecer onde for preciso, para a cavaqueira que se impõe.
Recordar é viver. Todos sabemos disso. Mas não podemos ficar simplesmente pelas ideias; é preciso mesmo deixar os nossos comodismos e avançar.
As nossas recordações estão à espera de soltar as amarras para verem a luz do dia, em conversa franca e amiga uns com os outros.
Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 07 Outubro , 2008, 13:00
Alunas na aula de informática (Foto do meu arquivo)

Anunciou, logo no início da aula, mal a professora entrou, que fazia anos.
Era um aluno irrequieto, com a força do mar espelhada nuns olhos verdes, transparentes, quase perturbadores de tanta limpidez! Cativava, o malandro! Pela sua irrequietude, pela sua beleza de porte selvagem, nos olhares, nos gestos, nas atitudes largas!
A professora tinha alguma dificuldade em o manter quieto, atento, nas aprendizagens que era preciso fazer. A Escola tinha regras... o programa estava ali para ser cumprido. Às vezes, afigurava-se bem comprido...
Hoje o B. estava excessivamente irrequieto... a efeméride do dia estava a perturbá-lo. Observando esta postura e na tentativa de o acalmar, aproxima-se dele a professora e fixa-o intensamente no olhar... aqueles olhos verde-água, que não cansam a vista de ninguém!
Permanecendo em silêncio, por largos momentos, desperta no B. a curiosidade e a excitação de adivinhar aquilo em que a mestra cogitava. Esta, para ganhar tempo, diz-lhe:
– Não te posso dizer agora, só no fim da aula...
Ficou-se por aí. Cumprido o ritual da saída, a professora pede ao aluno que a acompanhe à sala dos professores. É hábito este gesto ser indiciador de algum merecido castigo, pois, ali ao lado, costumam alguns alunos tomar um curto “banho de assento”. O sorriso da professora não deixara margem a medos, fora cúmplice e o B. percebera-o!
Depois de combinar com o Director de Turma, surgem os dois professores à beira do aluno, junto à porta, com ar austero. A professora dá-lhe os parabéns, afirmando que, dali para a frente, conta com a prestimosa colaboração deste novo Assessor de Disciplina, nomeado, ad hoc, na presença e com a conivência do seu Director de Turma! Juntamente com os dois beijinhos da praxe, a professora entrega ao aniversariante, como prenda improvisada, uma barrita de cereais, que levara consigo, para acalmar as necessidades do estômago.
Professor sofre! Mas… professor não cessa no esforço de encontrar, na pedagogia, a solução, a ajuda, o milagre para levar a sua missão a bom porto!

Madona
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 07 Outubro , 2008, 12:55


A economia está na ordem da hora. Reparem nos relógios, nos ecrãs, na histeria dos espectáculos bolseiros, nos sinais, na pressa, na subida, na descida, no sentimento positivo ou negativo. Tudo se passa como um relâmpago, começando em Wall Street e passando por Londres, Tóquio, Madrid ou Lisboa. E chega à nossa porta. Ao nosso bolso. Não contávamos com isto. Pelo menos para já. Neste novo milénio tivemos o 11 de Setembro, os arredores de Paris a arder, atentados no Iraque e Afeganistão, ameaças nucleares nalguns países, África por vezes a emergir, outras com a pobreza no pico mais alto, os barris de petróleo a fazerem rolar os painéis nas bombas de gasolina, nas viagem de qualquer tipo, no preço do pão de cada dia.
Diremos simplesmente que as leis são mais fortes que as vontades e as vontades que criam leis de justiça ou injustiça não mudaram. Vivemos a convulsão do “já e ainda não”, com os grandes do mundo mais assustados que os pobres, pois as suas perdas são mais arrasadoras que as perdas do cidadão comum. Mas as astúcias ganham cidadania. O dinheiro é jogo, especulação, ameaça, retracção, bluf, enganos contínuos para que a ilusão seja impulsionadora de negócio e o boato determine novas formas de lucro. Os poderes públicos já se sentiram ultrapassados. Uma espécie de terrorismo económico tornou-se determinante no xadrez de troca de capitais e bens – móveis ou imóveis – que nos leva a sentir-nos em estado de emergência e dúvida económica sistemática, decretada pelos prestidigitadores da moeda, dos juros, dos lucros, das subidas e descidas das acções como roleta constitutiva do nosso sistema económico. Adeus Marx, adeus capital.
Nesta matéria mentir não é bom. Mas dizer a verdade toda pode ser arriscado. Pode gerar efeito dominó. Cada qual lança ou paralisa o seu investimento, o pequeno ou grande sinal de compra e venda, e abre uma caixa surpreendente de consequências. Bento XVI na abertura do Sínodo referiu-se a esta crise como reveladora da “futilidade da corrida ao dinheiro”.
Não se vislumbra, por enquanto, saída para este estado de crise. Mas nem por isso podem ficar de fora as atitudes éticas no pequeno e grande mercado, nos negócios onde o ser humano está no centro e o mais frágil merece o maior respeito. A Igreja reafirma hoje mais veementemente a sua doutrina social, sejam quais forem os novos meios e técnicas em que se envolva o trabalho humano. O trabalho continua a ser um direito e um dever de todos, na continuidade da criação, na relação com o capital, no título de participação de todos, nas obrigações do Estado, no mundo agrícola e industrial, no mundo universo migratório, nos direitos da mulher, na remuneração equitativa, na distribuição dos rendimentos, nas novas formas de solidariedade e nas surpresas constantes da orgânica do mundo laboral. O ser humano é o mesmo. E continua indiscutível a frase de Cardijn: as coisas têm preço, os homens têm dignidade.

António Rego
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