de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 06 Julho , 2008, 09:59

Cultura humanista


1. Ter uma visão de conjunto da história permite-nos a necessária distância crítica para melhor compreendermos o tempo presente. Não que a história se repita, mas que algumas ideias-força possam ter “semelhanças” com outras épocas, nomeadamente sobre o balançar da experiência humana que ora vai pelos patamares mais técnicos (ordem mais da matéria, estruturalismo – que podemos personalizar nos clássicos em Aristóteles), ora pelas vias mais humanas (ordem tendencialmente do espírito, humanismo – representado por Platão). Certamente que os estudiosos da historiografia, filosofia ou os antropólogos saberão ter a noção mais exacta, da justa medida, em que estes pêndulos podem mesmo significar as duas ideias-força que ao longo dos séculos têm andado a puxar os fios condutores da história, sucedendo-se uma à outra…(?) Neste sentido procurador, perguntar faz bem…
2. Temos assistido na história da humanidade, na sua linhagem marcadamente ocidental (somos escritores da história de nós próprios o que nem sempre acaba por resultar justo), a momentos de forte impulso de desenvolvimento científico-económico e depois à sua crise e progressiva maturação. O progresso científico-técnico traz consigo a “desmontagem” de determinadas concepções de vida que passam a ser qualificadas de tradicionais, vindo também propor uma visão estruturalista, metodicamente organizada, da vida, onde todos os rigores da surpreendente ciência seduzem a ponto de não haver fronteiras para esse admirável mundo novo, e onde o patamar humaníssimo e ético acaba por ficar na prateleira. Com o acalmar do “pó”, verificando que as euforias dos novos conhecimentos também geraram muitas fracturas, e diante do desencanto humano e da “falta de sentido”, retorna a procura da fonte originária da Humanidade, surgindo um Humanismo que venha dar “ar fresco” e ânimo ao tempo histórico da vida pessoal e social.
3. No primeiro momento (quase nesta dialéctica do progresso), a ciência e técnica afirmam-se como auto-suficientes; no segundo momento, Humanista, é o retorno de todos os saberes como serviço à “casa comum”. Neste contexto da procura de um “método” para o futuro, vale a pena partilhar uma opinião, no âmbito dos três anos de pontificado de Bento XVI (17-04-2008), em que Guilherme d’Oliveira Martins destaca que «o Papa utiliza um método todo inovador e muito promissor, que é o de citar textos e autores profanos, em confronto com textos da Igreja, para melhor ilustrar as ideias e reflexões propostas. Este procedimento, inédito até este pontificado, abre horizontes novos, uma vez que põe o pensamento religioso em diálogo com o mundo e as ideias contemporâneas, em nome do enaltecimento da razão e da compreensão dos seus limites (a invocação de autores como Adorno e Horkheimer é, neste sentido, muito curiosa e significativa.» Prossiga, em tudo, esta racionalidade dialogal.
4. Neste método dinâmico da aprendizagem com a diversidade do outro pode estar o retorno de um Humanismo sadio que reponha no seu lugar o “humano” acima de todas as realidades e coisas. Aqui haverá SER humano capaz de reencontrar o sentido pleno da Vida, este que supera todas as dicotomias e divisões da história. Ressurja uma cultura verdadeiramente humanista: esta garantirá a preservação do bom senso, em tudo e em todos!

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 06 Julho , 2008, 09:50

VESTUÁRIO E CALÇADO

Caríssima/o:

Ora aqui está um assunto que muito nos interessava. Sabeis porquê?
Nem sei se vos diga: grande perigo para o equilíbrio das nossas crianças, pois, quando começava o jogo do botão, a roupa tinha valor pelos botões que nos disponibilizava para continuarmos a pôr na doca...
Como as «felpas» se resumiam ao indispensável, não admirava que usássemos a mesma camisola nas quatro estações... e sem reforço no inverno. Faz lembrar aquela cena do índio que afirmava “ser cara no corpo todo”! As calças eram uma amostra de vários bocados de flanela que iam tapando os buracos que as nossas brincadeiras lhes provocavam... e as joelheiras eram uma necessidade e uma prevenção: não foram elas e os nossos joelhos onde estariam?
Lembro-me que as meninas usavam muito a chita, nos vestidos, nas saias e nas blusas...
Roupas interiores, consideradas um luxo, iam aparecendo conforme as posses e as sobras dos ganhos dos pais.
Não sendo um filme de ficção e não pretendendo “injuriar” a juventude, estes simples apontamentos ajudarão a sentir a evolução e praza que a um ou outro interrogue sobre o respeito a estas necessidades básicas.
E na cabeça?
Raramente bóina ou boné que se perdiam deixados no primeiro bengaleiro a jeito.
Nos pés, solas grossas por andarem nus. Muitos viam os primeiros sapatos na comunhão ou no exame da quarta: sapatilhas de lona, azuis, castanhas ou brancas. Talvez fossem precisas umas meias mas, sinceramente, não me recordo de nenhumas que tivesse calçado.
Agasalhos para o inverno estavam à mão de semear nos sacos de serapilheira que dobrados a preceito nos protegiam das chuvas e dos frios.

Enfim, cenas de outro mundo poderiam surgir e fariam a nossa delícia... Como quando foi preciso tirar a fotografia para o bilhete de identidade e se usou a camisola do irmão mais velho ... que estava rota nos cotovelos...


Manuel
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