de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Março , 2008, 22:32
Toda a gente na comunicação social sabe que não deve entrevistar uma criança que foi vítima de um pedófilo (como o de Loures), mas entrevista; toda a gente sabe que não deve repetir à exaustão as imagens do vídeo do telemóvel, mas repete; toda a gente sabe que não deve ir para as portas do Carolina Michaelis entrevistar alunos menores sobre o que se passou, mas vai; toda a gente sabe tudo, mas faz de conta que não sabe.
JPP, no Abrupto
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Março , 2008, 22:18
D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, foi reconduzido, hoje, na presidência da Conferência Episcopal Portuguesa para o próximo triénio (2008-2011). A eleição decorreu no início dos trabalhos da 168ª Assembleia Plenária da CEP, que se prolonga até 4 de Abril, em Fátima. Para a vice-presidência foi eleito D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima.
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Março , 2008, 21:58


Cristiano Ronaldo, o dom e o trabalho


1. A magia de Cristiano Ronaldo vai contagiando o mundo (do futebol). Este passado fim-de-semana o “génio da bola” fez novamente das suas, mais uma vez, surpreendendo não só os adversários dentro do campo mas mesmo o mais leigo espectador (do futebol). Um dom especial, ninguém duvida. Muito trabalho, disciplina de treinos e rigor, já talvez nem tantos assim o saibam. Valerá a pena compreender, como sentido de exigência e espírito de sacrifício e luta, que o que se passa dentro das quatro linhas do futebol terá muitas lições a dar à vida diária, especialmente daqueles que estão na fase da sua primeira formação humana. Quando se pergunta a uma criança ou adolescente o que queres “ser”, na resposta imediata de “jogador de futebol” estará uma ideia de que para o ser quase não é preciso trabalhar, que é só chutar uma bola e marcar golos; e receber toda a admiração popular e os aplausos de reconhecimento. Puro engano, que esconde os sacrifícios necessários para atingir tal patamar de altíssima competição como no triunfo de qualquer atleta.
2. Talvez na sociedade de hoje a ideia fácil de ser jogador de futebol seja das maiores falsidades de que essa “felicidade” heróica se atinge com a maior das “facilidades”. Para que as ilusões se esbatam, mesmo sobre o melhor jogador do mundo da actualidade (há dúvidas?!), Ronaldo não esconde de que só com muito trabalho é que lá se chega. É verdade que o “dom”, a arte e a “magia” também nascem com as estrelas; mas a fatia decisiva do sucesso exige muita disciplina, rigor, método, auto-domínio, sentido de equilíbrio. Que o digam alguns documentários sobre a vida de Cristiano Ronaldo, dos sacrifícios feitos, das horas a fio de treinos mesmo depois dos outros atletas irem embora, as palavras fortes e directas de exigência do treinador, o sentido de camaradagem. Nada se faz sem trabalho, nem um jogador de futebol; e nada se faz sozinho, tudo terá de ser “jogo de equipa”. O Ronaldo brilha na equipa do Manchester; na selecção nacional, quando (ainda) não há equipa, não se pode esperar todos os milagres dos pés dele!
3. Talvez nos tempos actuais, especialmente também diante dos estatutos (permissivos) dos alunos, nas escolas, a “parábola educativa” que pode ser o futebol sublinhará a insistência de que só com trabalho (muito treino) venceremos. Sem “assiduidade”, sem rigor, sem espírito de equipa, sem método (que com toda a criatividade nos surpreenda), seremos o jogador que ao fim de uma corrida cai para o lado. O futebol, como escola de formação, também nos pode iluminar como referencial de exigência educativa. Quando não, a “derrota” será certa. Os treinos de Ronaldo à chuva, ao granizo, ao sol, poderão ser o espírito de luta naquilo que se quer. Com o exacerbar das facilidades não iremos lá! Ficaremos a ver o jogo passar…, a apanhar as bolas que sobram. O segredo serão as pequenas vitórias de cada dia!

Alexandre Cruz
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Março , 2008, 18:13
:
Concordo... Mas há jornalistas que não desarmam. Serão sádicos ou exigem-lhe isso? Ou serão os consumidores de notícias que precisam de "telenovelas"? Ou serão todos, por não terem mais em que pensar?
FM
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Março , 2008, 18:05

"O mundo moderno orgulha-se da sensibilidade social e preocupação com os necessitados. O Governo faz gala nisso. O nosso tempo acaba de conseguir uma grande vitória na vida dos pobres. Não acabou com a miséria. Limitou-se a proibi-la. É que, sabem, a pobreza viola os direitos do consumidor e as regras higiénicas da produção."

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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Março , 2008, 13:46
Molhe Norte - 1934

A homenagem a Luís Gomes de Carvalho

Tenho por hábito dizer que a sociedade é injusta. Que é uma entidade sem alma, porque esquece, facilmente, os seus maiores. Assim foi, penso eu, com Luís Gomes de Carvalho, que abriu a Barra de Aveiro, há dois séculos, seguindo os planos iniciais do Engenheiro Oudinot, seu sogro. Chegou a ser, inclusive, perseguido e difamado pela obra que realizou, unicamente por razões políticas. Naquele tempo, como hoje, quem não era da “cor” estava sujeito a estas coisas. Luís Gomes de Carvalho foi, na opinião de alguns, um precursor do liberalismo. E todos sabemos como absolutistas e liberais se digladiavam, com ódios de morte.
Houve um poeta, porém, que não se esqueceu de Luís Gomes de Carvalho. Foi ele António Feliciano de Castilho, o poeta cego, romântico, que chegou a viver em Castanheira do Vouga, onde escreveu muitos poemas. Ali se terá inspirado para escrever “O Presbitério da Montanha”.


Arduas fadigas, derramadas somas
Ao Vouga nunca destruir poderão
A barreira que entrada ao mar tolhia;
Em teus dias, Senhor, um génio grande,
(O preceito fôi Teu, e Tua a glória)
As cadeias quebrou que o Ria atávão
………………………..
………………………..
O nome de Oudinot, que o sábio plano
Deo qual déste também, qual desempenhas
Engenhoso Carvalho em nossos dias;
Mas teu grande sabêr a mais se avança.

António Feliciano de Castilho


In “A faustíssima exaltação de S. M. F. o Senhor D. João VI ao trono”
Transcrito por Silvério Rocha e Cunha, Capitão do Porto de Aveiro, na Conferência realizada em 5 de Maio de 1923, na sede da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses

NOTA: No excerto do poema, respeitei a ortografia da época. A foto é da "Exposição Histórico-Documental do Porto de Aveiro: Um imperativo Histórico"
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Março , 2008, 13:32

- Sabes, hoje, de manhã, fui à missa e houve uma bronca de todo o tamanho! – afirmou o meu colega e amigo Rodrigues, ao telefone, logo após me ter inteirado do estado de saúde da sua filha mais nova.
- Bronca? Como assim? – perguntei-lhe eu.
- O Padre deu cá uma descasca no pessoal, que nem imaginas! Foi na homilia! – respondeu-me e acrescentou o Rodrigues.
O Rodrigues, aveirense de nascimento, vive e trabalha, por conta própria, há anos a esta parte, perto de Braga.
Também lá, a vida é difícil e o encerramento de empresas de têxteis, calçado, confecções ou produtos electrónicos, tem colocado muita gente no desemprego, havendo situações dramáticas, a nível da sobrevivência diária de muitas famílias.
A Cáritas Diocesana, pelo que ele me disse, tem sido uma das instituições que mais anda no terreno, na busca das melhores soluções e ajudas para estes dramas humanos.
Mas, como tudo na vida, um pólo tem sempre o seu oposto, ou seja, há miséria, de um lado, não admirando que surja a riqueza no outro.
De há três anos para cá, o responsável paroquial tem procurado sensibilizar, sobretudo na Quaresma, aqueles a quem a fortuna sorriu, para terem em conta as dificuldades dos outros irmãos, serem solidários com eles e evitarem todo o tipo de ostentação, que acaba por ferir a dignidade de quem já está fragilizado na sua vida diária.
Esta ostentação surge, ainda com mais vigor, durante a Visita Pascal, e, parte dela, passa-se no interior de umas duas dezenas de moradias (“mais que luxuosas” no dizer do Rodrigues), que abrindo as portas ao anúncio do Ressuscitado, não dispensam, ano após ano, o requinte e os luxos exuberantes – que passam pelos carros, roupas e não só, durante o resto do ano.
Pelo que me disse o Rodrigues, as mesas são autênticas montras de tudo o que há de bom e do melhor, com as mais variadas e caras iguarias que se possam imaginar, em quantidades muito para além do bom senso e das necessidades dos seus proprietários. Fazem-se festas com convidados vindos de fora da freguesia.
Já na Páscoa passada, o pároco fez “ameaças” de que deixava de fazer a Visita Pascal nas casas que não soubessem receber, com respeito, dignidade e humildade, Aquele que deu a vida para nos salvar.
Como se costuma dizer, em bom português, parece que os avisos e os apelos paroquiais entraram por um ouvido e saíram logo pelo outro!
Haverá, aqui, uma provocação gratuita? Será que querem uma Igreja à sua medida e ao seu gosto? Será que desejam algum confronto? Será que desconhecem que Cristo se fez pobre por nós? (cf. 2 Cor 8,9).
Ainda que não seja um caso isolado, infelizmente, é uma das excepções à regra, mas que exige, a meu ver, medidas pastorais serenas, rápidas e firmes, capazes de fazer da paróquia – qualquer paróquia – aquilo que ela é em si mesmo: uma comunidade de fiéis, baptizados, que se reúnem e celebram a doutrina salvífica de Cristo, e praticam a caridade do Senhor em obras boas e fraternas (cf. CIC 2179).
Quanto à questão da “bronca”, na Eucaristia, tive que dizer ao Rodrigues que me parecia que o pároco não teria dado “bronca” nenhuma, durante a homilia.
- Se houve “bronca” – no sentido de censura ou repreensão evangélica (cf. Mc 16,14; 1,25; 8,33 ou Lc 9,55) – ela foi dada pelo próprio Cristo. – afirmei eu ao Rodrigues – que logo retorquiu: - Mas foi o Padre que falou! Percebendo que o meu Amigo estava confuso, e para ser o mais preciso e conciso, fui à estante buscar o livro “Missa”, do Cardeal Jean-Marie Lustiger, que se tornou participante no nosso diálogo telefónico.
Afinal, o Rodrigues, até aí, ainda não tinha entendido que, quando o celebrante entra na Assembleia de fiéis, Cristo se torna presente na sua pessoa (cf. pag. 48).
Agora, do que ele mais gostou de ouvir foi que a homilia “é verdadeiramente uma acção de Cristo que, pela boca do Padre, torna presente a sua Palavra” (cf. pag 95 e 96).
Decerto que vou ter novas oportunidades de falar com o Rodrigues e, quem sabe, se, até lá, numa outra Assembleia Eucarística, presidida por um qualquer sacerdote, não pode surgir uma outra “bronca evangélica”.
Como em tudo, também na vida da Igreja, o importante é que “aquele que tiver ouvidos, oiça” (cf. Mt 13,9).

Vítor Amorim
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