de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 11 Março , 2008, 19:03

O livro “Vem, sê a minha luz” foi lançado no Grémio Literário, estando, portanto, já à venda. Trata-se de uma obra que revela textos dos diários e da correspondência que Madre Teresa de Calcutá endereçou aos seus confessores e superiores, os quais foram compilados em livro pelo Padre Brian Kolodiejchuk.
Nele se revelam as dúvidas e a crise de fé que Madre Teresa viveu ao longo de mais de 60 anos de trabalho em Calcutá, ajudando os mais pobres entre os pobres.
“Onde está a minha fé? – mesmo lá no fundo, aí mesmo, nada existe a não ser vazio e escuridão. (…) São tantas as perguntas sem resposta que vivem dentro de mim – tenho receio de as trazer à luz – por serem blasfemas – se Deus existe – por favor perdoa-me”, diz Madre Teresa numa das suas cartas.
O Padre Brian Kolodiejchuk, que é o postulador da causa de canonização de Madre Teresa e director do Centro Madre Teresa, explica todas as dúvidas que têm surgido, deixando tudo mais claro.
Penso que esta obra, que ainda não conheço, pode até ser estimulante para os crentes, na medida em que mostra que os grandes santos também passam por crises de fé.

Fonte: Renascença
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 11 Março , 2008, 18:02

A ética do “tempo”em educação

1. É verdade que muitas das realidades da vida podem ter soluções rápidas e pragmáticas. Assim esta visão instrumental, normalmente, se aplica a uma obra a realizar, uma ponte a construir, um jardim a tratar. Obras relativamente fáceis! Também é certo que muitas soluções hoje têm a matriz tecnológica e informática, numa aceleração eficaz de processos que procura aliar rigor e qualidade que se difundam rapidamente. Mas não podemos correr o perigo de querer transferir aquilo que são processos da ordem técnica e prática para uma grande multidão, pois no “meio”, naturalmente, há sempre muito ruído que obriga o ritmo a ser outro se se quer chegar a bom porto. Faz lembrar coisas tão simples e tão práticas como uma “pista de escuteiros” em que o tempo que leva um preparador a percorrer esse caminho é multiplicado por três na experiência de grupo; ou então diante de uma assembleia de 1000 pessoas a organizar uma iniciativa comum teremos de repetir diferenciada e metodicamente várias vezes as mesmas ideias a ver se fica “tudo em todos” e mesmo assim…! Teremos de redescobrir mais o realismo e a organização do tempo “qb”, como assimilação e sabedoria consistentes, naquilo que querem ser, efectivamente, os projectos comuns.
2. Sendo-se sempre contra todo o imobilismo que paralisa as fundamentais e necessárias renovações, o certo é que o fulgor das “pressas” unilaterais nas reformas, do olhar em frente esquecendo os “lados” que afinal são as bases de sustentabilidade estrutural, esta prática sempre trouxe consigo grandes anticorpos. Tantas vezes a falta de consciência efectiva da realidade de decisores ou a proclamação de decisões a um ritmo inassimilável por quem está no terreno concreto, este facto, coloca-nos diante de dilemas que dividem o que existe de seguro e bom e multiplica a desagregação e instabilidade. Muitos portugueses têm sido autores e vítimas tanto de seu imobilismo como, talvez mais ainda, dos “repentismos” entusiastas da gestão da “coisa” e causa pública. O tempo do dia-a-dia precisa dessa motivação redistribuída harmoniosamente, evitando dessa forma, quanto possível, os solavancos das emoções.
3. Particularmente, nesta problemática, nada nos interessa (politicamente) quem recua, quem avança, quem ganha e quem perde. Um perdedor está garantido: a comunidade e, no fundo, o país. Claro que os discursos vão “torcendo” o que podem para assumir a “gradualidade” no tempo como factor humano; tudo porque tal como não se pode querer um oceano num rio, não será ético pedir às escolas o “repentino” que áreas tão abrangentes como a educação (o ensino, as famílias, os estudantes, as comunidades locais) não podem dar. Educar nunca foi nem será acto instrumental; se fosse seria bem mais fácil mas menos determinante no desenvolvimento dos povos. (Ofereciam-se tecnologias e pronto…!) Os tempos de recuo estratégico que se seguem (chame-se outro nome!) demonstrarão que houve tempo perdido em não compreendermos a grandeza, abrangência e complexidade de tudo o que está em jogo. Um refrão destes dias tem sido que há muitas instituições do país especializadas em Educação e que não foram chamados a construir (n)este processo. Há reflexões e lições educativas de fundo a serem tiradas de tudo o que acontece(u)… Seria um passo de coragem(?!).

Alexandre Cruz
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 11 Março , 2008, 14:51
As informações que nos são oferecidas diariamente deixam-me às vezes perplexo pelo que vejo. Portugueses humildes de regiões do interior têm de se deslocar mais de 100 quilómetros para serem atendidos por um médico do Serviço Nacional de Saúde. Uns vão de autocarro (mais de duas horas de viagem), outros de ambulância, outros de carro próprio ou de familiares, e outros, ainda, de táxi. São pessoas simples, sem conhecimento dos seus direitos, sem capacidade reivindicativa, normalmente de reformas e rendimentos baixos. Depois, têm de esperar o que é normal e de regressar pelos mesmos caminhos. Um dia inteiro para uma consulta ou exame médico.
Quando vejo estes retratos de Portugal real, o tal País profundo de que muitos falam na altura de férias, fico chocado. Profundamente chocado.
Nós, os do Portugal do litoral, comercial e industrial, de boas vias de comunicação, com tudo ao pé da porta, nem sequer reflectimos sobre as riquezas que possuímos e nem olhamos para estes nossos compatriotas. Os políticos, nas suas secretárias, lá para as bandas de Lisboa, onde não falta nada, fartam-se de fazer planos e até parece que vêem o País como um todo, quando, afinal, ele é uma manta de retalhos, onde há tiras de pano ricas e tiras que se rompem, ao mais pequeno gesto, por estarem puídas com o uso e com o tempo.
Eu penso que a cultura da solidariedade tem de ser incrementada, pondo em prática o princípio da partilha e a obrigação de se repartir com os que precisam o muito que alguns têm. Isto será um absurdo? Talvez. Mas eu continuo a pensar que os serviços de Saúde têm de estar mais próximos das pessoas, doa a quem doer. Por exemplo, nós, aqui, nos concelhos de Aveiro e Ílhavo, e arredores, temos tudo à mão. Mesmo assim, ainda protestamos, porque não temos o médico na nossa sala de estar ou no nosso quarto. Não haverá nestas zonas serviços a mais, num raio de 15 quilómetro, quando outros têm de percorrer mais de 100 quilómetros para uma consulta? Onde está, afinal, o Portugal solidário de que tanto se fala? Temos de pensar nisso!

FM
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 11 Março , 2008, 14:15




No “Prós e Contras” de ontem, na RTP, debateu-se um tema interessante: “Rei ou Presidente?”, ou, melhor dizendo, “Monarquia ou República?”
Para muitos portugueses, este seria um tema sem importância. Para outros, tem sempre importância, ou não devesse Portugal muito aos nossos reis, alguns dos quais foram personalidades de visão global e de futuro.
O debate decorreu com elevação e houve intervenientes que procuraram sublinhar as virtudes da Monarquia e da República. Gente culta e com capacidade para captar simpatias para as suas causas.
Não importa estar agora, a meu ver, a puxar a brasa para esta ou para aquela sardinha. Mas uma coisa quero dizer: a República, em Portugal, assenta nos assassínios do Rei D. Carlos e de seu filho Luís Filipe e numa minoria republicana. Nunca foi referendada pelos portugueses, como seria legítimo aceitar numa democracia. Não o tendo sido logo a seguir, o que considero compreensível, acho que, anos depois, seria bonito proceder-se, por forma referendária, à legitimação do regime.
Pedem-se referendos para isto e para aquilo, no regime em que vivemos, mas, sobre esta questão, o que há, na Constituição da República Portuguesa, é o absurdo de se fechar a porta a qualquer via para alterar o sistema vigente. Ora, eu penso que uma constituição não pode ser redutora. E porque assenta na democracia, tem de ter em conta a liberdade de o povo escolher o que considere ser o melhor, no sentido de construir o seu futuro, para desenvolver uma sociedade mais solidária e respeitadora da nossa identidade cultural e social.
Se me perguntarem se vale a pena levantar a questão e discutir a República, respondo que, por uma questão de liberdade democrática e por princípio intelectual, só excluo caminhos antidemocráticos, totalitários, fascizantes, xenófobos e racistas. Embora não acredite que haja, nas presentes circunstâncias, qualquer hipótese de restaurar a Monarquia, entendo que o povo português deve ter sempre à mão o direito de discutir e de escolher o que quiser, dentro de uma democracia representativa. Ora, para isso, a Constituição da República Portuguesa tem de lhe dar esse direito.

FM
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