de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 05 Março , 2008, 19:11
A cabeleira do gigante

O gigante (será o Adamastor?) saiu do mar e pé ante pé veio repousar no areal. Mas não mostrou a face medonha a quem quer desvendar os seus segredos. Nunca a deixou ver, apesar do retrato que Camões dele pintou em versos intemporais. Eu bem vi a sua cabeleira hirsuta, ali na praia do Areão, no passado sábado, quando por lá andei. Quis vê-lo mais de perto, para descobrir nos seus olhos a raiva que tem a quem ousa entrar nos seus domínios e para ouvir a sua voz cavernosa, que tanto medo causou aos nossos navegantes de antanho. Mas o malandro não deixou e apressou-se a entrar nas profundezas do Oceano.

FM
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 05 Março , 2008, 18:58
Faz falta ensinar à gente nova, porque agora já não se ensinam, e recordar aos menos novos, que ainda as aprenderam, as catorze obras de misericórdia, sete corporais e sete espirituais.
É uma aprendizagem com consequências na vida de quem sabe e na daqueles que podem beneficiar do seu saber.
O cortejo dos necessitados de misericórdia é grande e aumenta sempre mais, mesmo que se julgue o contrário. Não faltam famintos e sedentos a alimentar, nus a vestir, peregrinos a acolher, cativos a redimir e doentes a visitar e a cuidar. Não faltam ignorantes a ensinar, desviados a corrigir, perturbados a aconselhar, tristes a consolar, gente por quem se tem de ser paciente e muitos, vivos e mortos, a pedir-nos uma memória activa e um coração agradecido.
As obras de misericórdia não perderam a cotação. Elas serão a matéria de exame final sobre o valor que demos à vida e a maneira como a vivemos ao longo do tempo. A Quaresma pode levar-nos a dar-lhes atenção e sentido. Não é tempo perdido.

António Marcelino
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 05 Março , 2008, 15:52

As duas gerações

1. Nas comemorações dos 18 anos de edições, o jornal Público elabora um interessante exercício de ver como estávamos há 18 anos, no confronto contemporâneo dos que nasciam com os que na altura atingiam essa idade. Dos que nasciam no ano do Público (1990) aos que chegavam a considerada maioridade de 18 anos já parece haver uma distância tal como se se tratasse de muitas décadas de diferença. Ajuda-nos este confronto a tomar consciência que desse tempo para hoje as velocidades com que comunicamos aproximaram o particular do universal e o mundo da casa e vida de cada um. Nascendo, em 1989, com a queda do Muro de Berlim uma nova configuração planetária (com o fim do último totalitarismo, soviético), no mundo da época respirava-se de alívio pós-guerra fria na expectativa realizadora e esperançosa de uma verdadeira pacificação global.
2. Nesta nova conjuntura de liberdades abertas (não há liberdades fechadas!), talvez os anos 90 tenham sido a época histórica de uma autêntica “epopeia tecnológica”, com o boom eufórico da universalização das múltiplas formas de comunicar e sentir o mundo presente. Este mega exercitar da globalização, de tendências marcadamente hegemónicas e de domínio do económico em detrimento das diversidades, das ideias, políticas e culturas, sofre um forte revés nos atentados do 11 de Setembro de 2001. Talvez tudo tenha andado depressa demais em termos de tecnologias e de aproximação estratégico-científica e comunicacional, porque talvez tudo tenha andado devagar demais no que se refere ao verdadeiro (re)conhecimento da essência da Humanidade nas suas diversidades e nos seus “porquês”. O incompreensível “grito” do 11 de Setembro traz consigo um arrepiar de caminhos que, nas inseguranças e nos medos, pode reconduzir a história a alguns fechamentos geradores de desigualdade e exclusão.
3. A geração portuguesa que nasceu há 18 anos vive hoje com as mãos cheias de tecnologia mas, não tendo assistido ao seu emergir (algo que quem na altura tinha essa idade foi presenciando), corre o perigo crescente da absolutização das “coisas” deitando a perder o essencial da humanidade pessoal e social que são as relações humanas. Os resultados estão aí: Como refere o estudo do Público: «Acreditam: neles…» e «Não acreditam: no país, no casamento, nos outros». Num país diferente para melhor em muitas realidades mas na mesma em relação a muitas desconfianças espelhadas em mega casos de justiça e a sua continuada incerteza, a geração que está aí confirma os receios de uma (pseudo-)cidadania da indiferença sócio-política que, de quando em quando, costumamos criticar... Talvez tenhamos muito a aprender com as gerações anteriores; mas para isso é preciso o “diálogo de gerações” e mesmo o diálogo intercultural. Nestes diálogos, é certo que usando todas as virtualidades que nos aproximam, mas… preservemos e enalteçamos a presença humana.

Alexandre Cruz
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 05 Março , 2008, 11:37

Os jornais disseram que a CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais) recebe, anualmente, milhares de euros para poder desempenhar o seu papel de defensora dos interesses dos pais e dos alunos das nossas escolas. Sempre me repugnou a ideia de instituições como esta receberem subsídios do Estado. Porquê? Pela simples razão de que podem perder a independência face aos poderes instituídos.
Aceito, porém, que possam receber comparticipações para projectos de formação que contribuam para o desenvolvimento dos membros das instituições. Eu acho, no fundo, que as associações, sejam elas quais forem, devem ser o reflexo dos seus membros, os quais têm a obrigação de sustentar aquilo que lhes dá prazer. Sei de uma Câmara, a de Ílhavo, concretamente, que ajuda as instituições mediante contrapartidas ou parcerias, ou projectos de natureza social, cultural ou outra. Dar por dar não está na sua agenda. E nem deve estar, a meu ver.
Se o Estado se habituar a dar subsídios regulares, é certo e sabido que gera dependências, criando nas pessoas o hábito de se acomodarem à facilidade da vida. O Estado pode e deve estimular o associativismo, a solidariedade, o envolvimento das pessoas em acções de âmbito diverso, mas nunca sustentar instituições. Subsídios eventuais, repito, vá que não vá. Mas não mais do que isso.

FM
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 05 Março , 2008, 11:10

O PÚBLICO faz hoje 18 anos. Em termos humanos atingiu a maioridade. Sob o ponto de vista jornalístico já nasceu adulto e responsável. É, desde o primeiro número, o meu jornal diário. Só não o leio por motivos de força maior: doença ou outros incómodos. E quando isso acontece, fico com a sensação de um certo vazio. Depois, até chego à conclusão de que, na verdade, aconteceu algo de importante a que não tive acesso.
O PÚBLICO é considerado um diário de referência. No dia-a-dia traz o essencial do País e do mundo. Mas com frequência não me mostra o que aconteceu na minha rua, nem aborda alguns temas de que gostaria. Contudo, o fundamental, o retrato do quotidiano e a perspectiva do futuro próximo, vem lá.
Fico sempre satisfeito com o que publica? Não. Por vezes revolta-me a importância que dá a banalidades, a mexericos, a denúncias não suficientemente esclarecidas, a sensacionalismos… Mas talvez isso seja hoje uma forma de condescender com a (inevitável) procura de novos leitores e mais publicidade, base da sustentabilidade económico-financeira de um qualquer órgão de comunicação social. De qualquer modo, continuo a cultivar o princípio de que nem sempre os fins podem justificar os meios.
Parabéns ao PÚBLICO e a quantos o fazem no dia-a-dia, em luta constante pela qualidade.

FM
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