de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 29 Fevereiro , 2008, 23:04
Fico sempre espantado com os nossos cronistas que vêem tudo negro. Aprecio Vasco Pulido Valente pela sua cultura e domínio de escrita, mas não entendo tanto pessimismo sobre Portugal e os portugueses. Hoje, na sua crónica do PÚBLICO, voltou à carga, ressuscitando epítetos que nos foram atribuídos por gente importante do nosso País, desde Alexandre Herculano, Bulhão Pato e D. Carlos, com “Isto dá vontade de morrer”, “Piolheira”, “Choldra”, até aos políticos actuais que provocaram “um mal-estar difuso”. Passando, claro, pelos republicanos que ficaram desiludidos e pelos que sempre lutaram por alcançar a Europa sem nunca o terem conseguido, acabando na garantia de que “ninguém faz nada com sentido”. Afinal, segundo ele, "Portugal sempre gostou muito pouco de si próprio".
Pelas suas contas, os portugueses não consegue sair da angústia nacional…
Ora, a verdade é que há muita gente a pregar que vivemos num país inviável, mas cá estamos desde que D. Afonso Henriques deu o grito de independência, batendo-se com garra contra quem se lhe opunha. E passou essa mensagem às gerações seguintes para que o continuássemos. Porquê então tanto pessimismo?
FM
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 29 Fevereiro , 2008, 17:54


Espraiei nas dunas os meus olhos
até à imaginação
em dia de primavera prometida
Fixei ao longe o céu escuro pela bruma
de sonhos esquecidos
E pensei nos tempos vividos
à sombra dos areais da minha infância
com farol à vista

FM
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 29 Fevereiro , 2008, 17:03


Não sei se alguma vez, na nossa demo-cracia, os professores protestaram tanto como estão a fazê-lo agora. Que me recorde, não. De qualquer modo, esta classe profissional que está na base da formação das presentes e futuras gera-ções, dependendo dela os que hão-de continuar Portugal, não merecia que a obrigassem a andar nas ruas a protestar. Que o protesto público, quando justo, é tão digno como o que decorre dentro dos espaços de trabalho, diga-se, contudo, desde já. Porém, os professores, das mais variadas idades e graus de ensino, deviam poder contar com os nossos governantes para um diálogo face a face, donde pudesse sair uma reforma justa.
Ninguém contesta o direito de o Governo, democraticamente eleito, proceder às reformas há tanto esperadas e que constam das suas promessas eleitorais. Mas também é verdade que qualquer reforma pressupõe um trabalho conjunto entre quem governa e quem é parte interessada e fundamental para dar seguimento ao que vier a ser decidido.
Custa-me imenso ver o desalento dos professores, certamente por se sentirem marginalizados na discussão dos problemas que lhes dizem respeito. Quem nasceu para ensinar e para educar, jamais compreenderá quem insiste em lhe impor reformas sem diálogo, sem explicações plausíveis e muitas vezes sem lógica.
É sabido que o ministro da Saúde saiu do Governo por falta de capacidade para explicar as suas reformas no sector. Penso que a ministra da Educação está a seguir o mesmo caminho.
O melhor, a meu ver, será o primeiro-ministro decretar uma pausa para pensar. Depois, calmamente, que todos se sentem à mesa para conversar. Sem radicalismos. De uma parte e de outra. As nossas crianças e jovens, mais as suas famílias, exigem-no.

FM
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 29 Fevereiro , 2008, 15:39
Entrevista no DN



O que é que encontra no campo que a cidade não lhe oferece?


Principalmente, a paz interior. Há um reco-lhimento muito forte que é difícil de conseguir na cidade. Todos os dias viajo até ao campo para tocar um pouco. É um ambiente calmo, com muito ar puro. O lado contemplativo está sempre pre-sente.



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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 29 Fevereiro , 2008, 12:29


É esta a forma de comunicar de Jean-Dominique Bauby. Tudo o que pensava e sentia era transmitido por um piscar de olhos. Se queria dizer “sim” piscava uma vez; se pretendia dizer “não”, piscava duas vezes. E com que facilidade o fazia! E que serenidade transparecia do seu rosto! De uma enorme desgraça, emergia uma maravilha!
Há uma grande cumplicidade natural entre o coração e os olhos. A quadra popular expressa-o muito bem: “O coração mais os olhos, são dois amigos leais; quando o coração está triste, logo os olhos dão sinais”. Esta cumplicidade funciona com normalidade. O olhar é o espelho do coração e da multiplicidade de afectos e emoções, de preferências e critérios, de opções e atitudes que dão origem à qualidade de um estilo de vida humanizado.
Bauby era director da revista francesa “Elle” e aos 42 anos foi vítima de uma doença que o deixou intelectualmente lúcido, mas totalmente paralisado. Apenas um piscar de olhos lhe permitia expressar-se. Foi assim que escreveu o livro “O escafandro e a borboleta", adaptado ao cinema com rara felicidade. A borboleta é o símbolo das mensagens que envia do escafandro – a prisão em que se encontra. Em cada voo, vem um postal com um hino à vida, o valor das pequenas coisas, a força da esperança, o brilho da luz e tantas outras maravilhas que, quando perdidas ou debilitadas, adquirem mais valor.
Aquele piscar de olhos gravou-se na minha imaginação e deixou-me marcas profundas. Envolve a passagem da cegueira à visão, do isolamento à comunicação, do estar só à companhia, do orientar a vida por critérios subjectivos a ter referências objectivas, humanas e cristãs, do deixar escapar o momento fugaz a agarrar o tempo como única oportunidade de salvação.
O Evangelho – que narra a cura do cego de nascença – apresenta esta passagem em forma de itinerário espiritual. Quem se prepara para o baptismo vai adquirindo um novo olhar iluminado por Jesus Cristo – a luz do mundo. E, depois de baptizado, sente a necessidade de aprender a ver com o coração e não apenas com os olhos.
De facto, ver com o coração é ir além das aparências e descobrir a realidade, é apreciar o belo e o bom ainda que camuflados de laivos de fealdade e de maldade, é despertar o melhor de cada consciência mesmo que misturado em desvios erráticos notórios, é deixar o lodo e contemplar as estrelas, é sentir o “piscar dos olhos” de Quem aponta o caminho e respeita a liberdade, de Quem confia em nós, mas exige responsabilidade.

Georgino Rocha
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 29 Fevereiro , 2008, 09:47
Mais de 500 actividades
agendadas de Norte a Sul do país

Rosário Farmhouse,
Alta-comissária para a Imigração
e Diálogo Intercultural
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 28 Fevereiro , 2008, 23:13
Diz a história do Vaticano II, por muitos já esquecida ou nunca aprendida, que foi grande a discussão dos padres conciliares quando se reflectiu sobre a condição, ao longo do tempo, da Igreja, Povo de Deus, que peregrina no mundo. Viu-se então que, na sua história, havia páginas de santidade, mas também páginas com desvios do rumo que o seu Fundador lhe imprimira.
Era preciso deixar explicito que se assumiam umas e outras na sua verdade total. Foi assim que surgiu uma proposta de redacção para ficar no texto conciliar e que falava da Igreja de Jesus Cristo “santa e pecadora”. A afirmação, tal qual, não agradou, pois se acreditamos que o Espírito Santo a conduz e a anima na sua vocação à santidade, que é a vocação de todos os seus membros, o pecado não faz parte da natureza da Igreja, mas é resultado da falta de verdade e coerência daqueles que, dizendo-se cristãos, lhe desfiguram o rosto, que é o de um Deus Pai, rico em misericórdia, e de um Filho, que a quer pura e santa e por ela se entregou à morte, vencendo esta com a sua ressurreição.
Encontrou-se então uma fórmula mais aceitável, verdadeira e estimulante: “Igreja santa, mas sempre necessitada de purificação”. Assim se respeita a verdade da santidade e se faz apelo a que se considere a condição do pecado como transitória, com a libertação sempre à vista para quem quiser livremente aceitar o caminho, que Cristo abriu para todos.
A santidade de muitos cristãos, mais numerosos que os que recebem o reconhecimento público das suas virtudes, é um património da Igreja, rico e inegável. Ela mostra a todos, deste modo, aos de dentro e os de fora, como não faltam, nem nunca faltaram, cristãos para os quais Deus é o único Senhor, a Luz das suas vidas e a Força do seu caminhar, crescendo cada dia à medida de Cristo, no meio de contrariedades, lutas e trabalhos.
A Palavra de Deus, revelada e transmitida pela Tradição, ajuda-nos a entender que o santo é o cristão normal e que a santidade está ao alcance de todos os filhos de Deus, constituindo para cada um o apelo a ir mais longe, iluminado interiormente por uma fé esclarecida e coerente.
Porém, a Igreja não esquece nem pode esquecer que o tempo da peregrinação no mundo, se é o tempo do mérito, é também o tempo “da grande tribulação”. O tempo põe à prova tanto a grandeza, como a debilidade de cada um de nós. Por isso, a Igreja nunca deixará de convidar os cristãos à conversão evangélica, a voltarem-se para Deus com as suas forças e fraquezas, vitórias e derrotas, e a alinharem a vida toda, segundo o amor que lhe dá sentido e com garantia de segurança e de êxito. Assim, vai dizendo que todos podemos ser vencedores nos combates da vida, dando sentido de vitória a cada pequeno ou grande combate que vamos travando.
Só o amor a Deus e aos outros, por razão de Quem primeiro nos amou, é caminho de salvação. Só o deixar de estar ligado à Fonte da vida e de amar aqueles de nós mais precisam é prenúncio de perda e sinal do pouco que Deus pode significar para nós.
Não é fácil reconhecer a nossa condição, tanto de romeiros a caminho da santidade, por gestos de verdade e coerência de vida, como de humildes pecadores, que, por acções e omissões, vão deixando secar no coração o amor que salva.
Cada ano, na Quaresma, e, ao longo dos meses, através das acções mais diversas, a Igreja, mãe e mestra, nos estimula e adverte, tanto para a possibilidade da santidade ao alcance de todos, como para o perigo do pecado pessoal, social e comunitário, ao qual não faltam ocasiões aliciantes e portas abertas e convidativas a entrar.
É, também, tempo para dizer a todos que a necessidade de purificação acompanha a Igreja no seu a dia de peregrina e constitui um apelo claro com as suas exigências e verdade.
No tempo da peregrinação, que é o do enraizamento, prova e purificação da fé, nem há santidade consumada, nem situações irremediáveis. Definitivo, só o amor de Deus para com todos.

António Marcelino

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 28 Fevereiro , 2008, 22:45
O apagão mundial de 29 Fev. 2008

1. Já de há algum tempo a esta parte tem circulado nos diversos canais de comunicação e na internet a mensagem do “apagão mundial”. Não sabemos quem é a origem específica desta ideia que, ao que parece, percorre o mundo, mas provirá de linhas de reflexão e actuação da ordem ecológica. O dia escolhido é o último de Fevereiro, a hora que nos cabe é das 19.55h às 20.00h. Nestes mesmos 5 minutos o mundo pensará na mesma mensagem, para o planeta “respirar”. Apesar, naturalmente, de muita indiferença do pragmatismo das sociedades que não vêm resultado prático destas coisas estando sempre à espera dos resultados imediatistas, o certo é que procura-se (e espera-se) uma resposta massiva, a fim de estudar e ver o que acontece em termos da «brutal» poupança energética.
2. Este apelo, usando a força da união mundial pela Internet, apresenta mesmo um comunicado em várias línguas. Não só na lusofonia ou no inglês do ocidente mas em línguas orientais, árabes e asiáticas. Trata-se, efectivamente, de uma corrente global, do que chamaríamos um despertar da sociedade planetária e suas opiniões públicas para as defesas e preservações fundamentais. Já não é novo este recurso comunicacional. Foi usado tanto para a solidariedade mundial em causas como o Tsunami da Ásia ou os apelos prementes à não execução de pessoas em determinados pontos do globo. Mas, verdade se diga, ao que parece, nunca como neste “apagão mundial” (como estudo e sensibilização de poupança energética) a mensagem chegou tão longe, no apelo ao desligar de todos os instrumentos possíveis a fim de nos encontrarmos “despidos” de todos os aparelhos alimentados de energia.
3. Também neste apelo a deixar “respirar” o mundo (em que poluímos, segundo estudiosos, mais em 30 anos que nos últimos 30 séculos), brota o convite a parar um pouco, a deixar respirar e sentir a vida, esta às vezes tão carregada das corridas ou das coisas instrumentais. A mensagem vai a ponto de dizer em todas as línguas: «Sim, estaremos 5 minutos às escuras, podemos acender uma vela e simplesmente ficar a olhar para ela, estaremos a respirar nós e o planeta». Procuraremos, também, “parar” nesse momento, mesmo à luz da vela... Fazer a pausa do exercício de cidadania planetária nesta mega e humanizante sensibilização. No dia seguinte estarão aí os números da participação e mesmo da poupança energética desses 5 minutos. Também desta forma vamos sentindo que pertencemos ao mundo que aguarda a preservação de todos. Claro, não se esperem resultados que esta experiência não pretende nem pode dar. Mas ela também oferece um sinal daquilo que é a identidade global na defesa de ca(u)sas de todos!

Alexandre Cruz
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 28 Fevereiro , 2008, 11:11


Organizada pela Câmara Municipal de Aveiro e pela distribuidora “Calendário das Letras”, a Festa do Livro, que ficará instalada numa grande tenda no Rossio, expõe milhares de livros, organizados por escalões e preços, com mais de 18 meses de publicação, a preços muito baixos.
Desde um até dez euros, podem ser encontrados os mais diversos tipos de livros de centenas de editoras: infantis, juvenis, romance, técnicos, entre outros.
As Festas do Livro são hoje, em paralelo com as Feiras do Livro tradicionais, grandes momentos onde se promovem os livros e a leitura.
Nas Festas incluem-se especificamente os fundos editoriais mais antigos, a preços especiais e nas Feiras promovem-se, fundamentalmente, as novidades.
A primeira Festa do Livro decorre até 16 de Março, das 11 às 21 horas, no Rossio, em Aveiro

Fonte: CMA
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 28 Fevereiro , 2008, 09:34

Não me consta que nas sociedades ocidentais sejam perseguidos os muçulmanos ou os obriguem a aderir ao cristianismo. Em Portugal, como noutros países de cultura cristã, os islâmicos, como outros membros de qualquer religião, têm liberdade de culto, podendo construir os seus templos, quantas vezes com os apoios das autarquias e até do Estado. Tanto quanto me é dado saber, não são perseguidos nem sobre eles se exerce qualquer proselitismo. Mas em alguns países de maioria islâmica não é assim. Os cristãos são obrigados a esconder a sua fé, estando impossibilitados de a manifestarem fora das quatro paredes das suas casas.
No Iraque, dizem algumas notícias, os cristãos vivem num martírio incompreensível, “como nos primeiros séculos do cristianismo”, com ameaças de que devem converter-se ao Islão ou deixar o país.
Na Jordânia, país com algumas marcas da cultura ocidental, também se expulsam cristãos, com a acusação de fazerem proselitismo, enquanto desenvolvem actividades sociocaritativas. Ali, o culto cristão está fechado à chave, isto é, não podem ser exibidos sinais religiosos, para além dos islâmicos. Nem templos, nem manifestações públicas, nem cerimónias. As perseguições vão ao ponto de impedir o acesso a empregos e cargos públicos.
Imaginem que isto acontecia em Portugal ou noutros países de maioria cristã. Era o fim do mundo, com ameaças e nem sei que mais.

FM
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 28 Fevereiro , 2008, 08:56


Camões brindou-nos com o Velho do Restelo, retrato do pessimista nacional. Já no seu tempo, no século XVI, ele se insurgia contra o pessimismo, o eterno descrente das nossas capacidades pátrias. E no entanto, Portugal aí está a lutar contra tudo e contra todos para existir, mesmo que na cauda da Europa. Que a nível do mundo, ainda estamos no grupo dos melhores.
Vem isto a propósito dos que passam a vida a lastimar a nossa triste sorte de estarmos vivos. Os nossos comentadores, colunistas e demais opinadores, que moram diariamente nos órgãos de comunicação social, mas que também saltitam na Internet, com mensagem carregadas de dramas e má-língua, não sabem falar de coisas positivas. Para eles, melhor dizendo, para uma grande maioria, Portugal e os portugueses não têm futuro. E são tantos os que atiram ao vento as nossas desditas, que nem sei como é que o nosso País ainda se mantém a olhar em frente. E depois, até parece que o pessimismo é contagiante, levando-nos, mesmo contra a nossa própria vontade, a embarcar na onda. Já aqui disse, uma vez, que se a esses comentadores, colunistas e opinadores faltasse esse pessimismo, perderiam o emprego.
Sejamos, pois, optimistas, apostando numa linguagem pela positiva!

FM
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Fevereiro , 2008, 19:19
Professores em luta


Os professores, a rua, a educação

1. Já se sabe que esta conjugação (os professores, a rua, a educação) não dá grandes frutos. Os essenciais destinatários, os alunos, cada vez mais cedo descobrem as fragilidades do sistema e usam-no mesmo para atiçarem os educadores que, na sua função absolutamente decisiva na formação deste país, deviam ser preservados, protegidos e apoiados na dignificação do “ser professor”. Claro que os professores não gostam de sair à rua, preferem a sala de aulas; mas quando não há mais recurso a “rua” é o lugar de tornar público aquilo que, no fundo, diz respeito a todos. Seja dito, quanto mais em Portugal os professores tiverem de sair à rua em manifestação, mais difícil se torna a sala de aula. Para além dos possíveis sectores de ideias, mesmo de linhas políticas (em que ninguém se coloca de fora da necessária “avaliação” como estímulo à qualidade), a verdade é que a “rua” acaba, em área tão sensível e estruturante como a educação, por representar o beco sem saída das mesas de reflexão, onde a distância das tutelas à realidade torna impossível a construção razoável do consenso.
2. No passado dia 26 de Fevereiro, à noite, ocorreu mais uma manifestação. Mais de um milhar de professores acorreu percorrendo locais simbólicos em Coimbra. Diversos slogans, ainda que “puxados” como apelo emocionante no meio de tochas, velas e autocolantes, dão o sentir do estado da arte: à frente ia o cartaz «Basta! Assim não se pode ser professor», nas camisolas o lema: «Professores de luto e em luta pela Educação». Este cordão humano junta-se a muitos cordões de insatisfação. Está em causa (talvez) a causa mais importante de todas: a educação. Não se pode ser surdo ao “desabafo” de tantos professores que, não tendo qualquer medo da avaliação (mas contra este modelo tutelar), sentem-se indignificados e quase desacreditados diante das turmas de alunos cada vez mais exigentes, tanto em termos de conhecimentos como de comportamentos. Muitos estudiosos, ao longo de muitos anos, têm dito e redito que não é possível “solucionar” as questões da educação sem os professores, os alunos, os pais, a comunidade.
3. Os alunos estão aí a ver os professores e a tutela na rua do debate público. As famílias, a par da preocupação com a educação dos filhos, vivem a superocupação do pão (que sobe novamente) de cada dia. No ano 22 da Lei de Bases do Sistema Educativo Português, torna-se difícil vislumbrar ainda os elos de ligação de tudo o que envolve o maior tesouro a descobrir: sempre a Educação. É certo, com todas as entidades; mas quanto mais conhecendo e envolvendo as bases mais e melhor lá iremos. O que nunca pode significar permanecer estruturalmente onde se está num mundo em constante mudança. Nesta fronteira de que falamos, até para maior segurança, estabilidade e futuro de todos, o país precisa da redignificação da (autoridade da) função docente. Isto interessa a toda a sociedade civil.

Alexandre Cruz
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 26 Fevereiro , 2008, 22:28

Belmiro de Azevedo, um dos empresários de mais sucesso em Portugal, denunciou hoje injustiças que a sociedade não consegue debelar. De forma muito simples, explicou como há entidades públicas e privadas privilegiadas, que não têm problemas em aumentar os seus lucros. O Estado, quando precisa de dinheiro, resolve o assunto subindo os impostos, de maneira directa ou indirecta.
Saindo do âmbito estatal, com os Bancos e outras grandes empresas, livres de concorrência, a questão também se ultrapassa facilmente: aumentam os juros e os preços do que vendem (por exemplo, serviços bancários, electricidade e gás, entre ontros produtos) e os clientes é que tudo suportam. E nem é preciso estarem a viver uma qualquer crise. Basta-lhes o desejo de registarem mais lucros no fim do ano, para se vangloriarem das boas gestões de que são capazes.
O capitalismo, como outros ismos, é terrível, mas temos de viver com ele, sempre na esperança de que um dia a balança se incline para a justiça social. Estabelece, por vezes, uns códigos de conduta, de acordo com os interesses de alguns poderosos, nem sempre humanos, e não olham a meios para atingirem os fins. É assim…infelizmente.
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 26 Fevereiro , 2008, 21:40

Com força de vontade, tudo se consegue! Este vídeo, que partilho com todos, foi-me enviado por João Marçal, gentileza que agradeço.

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 26 Fevereiro , 2008, 15:09
Escola da Tia Zefa

Gafanhoas antigas

Estou a ver os homens baixos e magros de camiseta e de ceroulas compridas, de flanela, estas com atilhos amarrados nas canelas, barba por fazer (só se fazia aos sábados, no barbeiro), boné ou chapéu na cabeça, mãos gretadas pelo trabalho duro, descalços, rosto envelhecido, queimado pelo vento e pelo sol impiedosos, força de vontade férrea, poupados, com gosto pelo trabalho e pela solidariedade tantas vezes manifestada, religiosos sem beatices, amigos dos seus amigos. As mulheres baixas e de pernas grossas, sem cintura e sem pescoço, olhos ingénuos, de chapéu de palha na cabeça por cima de um lenço que amarrava sobre o chapéu, roupas escuras, excepto ao domingo, em que se abusava da cor garrida, sobretudo as das secas do bacalhau, pernas com canudos (meias sem pés) enfiados para o sol não as queimar, que era fino tê-las brancas, descalças, mãos gastas pelo trabalhos, tranças na cabeça, porque permanentes eram para as da cidade, religiosas sem exageros, amantes do trabalho e poupadas, solidárias e amigas das suas amigas.
Mas a maneira de falar, um tanto ou quanto cantada, com alguma malícia pelo meio, entre risadas contagiantes, é que me encantava.
Levemos a nossa memória até lá atrás e ouçamos a Ti Maria e o Ti Atóino. Vinha ela desaustinada (sem tino) porque a canalha lhe estragara as batatas ali ao pé da escola da Tia Zefa. Estava arrenegada (zangada).
O ti Atóino vinha da borda, onde andara ao moliço para o aido. Antes da maré, porém, deitara-se a descansar, com o corpo moído, na proa da bateira que ia à rola (à deriva). Sem saber como, e com uma nassa, apanhou uns peixitos para a ceia (o jantar de hoje). Já não era mau. Naquele dia não comeriam caldo de feijão com toucinho, com um bocado de boroa. Sempre seria melhor.
— Então queras (queres) ver, Atóino, o que a canalha (os garotos) da escola fez? Andou por riba (cima) das batatas a achar (à procura de) a bola e ‘stragaram-me tudo. Tamém (também) andaram à carreira (a correr velozmente) atrás uns dos oitros (outros) a amandar (mandar, atirar) pedras e a acaçar ( caçar, ao agarra). Se andassem com relego (com moderação), ainda vá que não vá. Mas não. Andavam a toda a brida ( à desfilada, a toda a força), como que a atiçar (meter-se) comigo. E se calhar a professora estava abuzacada (refastelada) na sala. Isto está mal, não achas?
— Pois é verdade, Ti Maria. Não são coisas que se façam. Anda um home (homem) a gastar dinheiro em batatas e buano (guano), muitas vezes sem se astrever ( atrever, poder) e estes mariolas (marotos), num’stante (instante) deixam tudo ‘struído. Era só a gente atirar-lhe com um balde de auga (água), para eles aprenderem. São a mode (como que) tolinhos e alonsas (parvos). Mariolas! (marotos!). Vossemecê já falou com a professora? Se ainda não, vá lá e diga-lhe que ó despois (depois) não se arresponsabiliza (responsabiliza). São uns desalservados (cabeças no ar), uns desintoados (desentoados, disparatados).
— Tens razão, Atóino. Vou lá num‘stante (instante), antes que seja tarde. Amanhê (amanhã) tamém (também) falo com os pais. Sempre são homes (homens) e melheres (mulheres) pra (para) darem uns estrincões (apertões com os dedos em zonas sensíveis) aos miúdos, pra (para) eles aprenderem. Opois (depois) que não se queixem.

Fernando Martins
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NOTA: Entre parêntesis, as palavras ou expressões correctas. Excerto de palestra sobre coisas de antigamente.



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