de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 05 Outubro , 2006, 08:47

QUE É FEITO DO
OBSERVATÓRIO
DA PUBLICIDADE?

Mão amiga deu-me conta de dois anúncios que lhe mere-ceram atenção. Ambos foram há pouco publicados em jor-nais diários bem conhecidos. Os de maior audiência. Por isso, certamente, são procurados para anunciar. Dizem assim: - “Procuram-se mendigos para diversos pontos de Lisboa. Trata Liga dos Indigentes”. - “Procuro mulher para ter um filho”.
Há semanas fiz eco, mais uma vez, da publicidade descarada referente à prostituição. Um jornal diário publica, em cada número, mais de mil pequenos anúncios, fazendo a cobertura de todo o país, onde o produto se pode encontrar com um simples golpe de telefone. Cinco páginas, completas ou quase. É o único com este exagero, mas não o único a fazê-lo diariamente. A linguagem cresce cada dia em ousadia e despudor. Assim vende mais. Impunemente.
A uma jornalista que me pediu informação sobre assunto bem diferente, falei no fim do que venho referindo, em relação ao seu jornal diário. Logo me respondeu: “Isso é com a administração”. Eu sabia, mas pedi-lhe que fizesse eco, junto de quem manda, da opinião dos leitores. “Não pode ser”, disse. Também o sabia. Quem manda é o dinheiro. Um jornalista, por mais sério que seja, tem de agradar a quem manda e paga, porque o poder está sempre aí. Os empregos são cada dia mais raros e mais precários. É tudo.
Este é um verdadeiro deficit nacional. A pouca vergonha que enriquece, a falta de ética dos meios para conseguir os fins. Parece que ninguém do governo está empenhado em diminuir este deficit, a ponto de o ver saldado, quanto antes, porque assim o exige a purificação do ambiente. Não sei o que pensa Bruxelas, como orientação aos países membros, sempre tão zelosos em cumprir o que lhes interessa e em calar o que não vem ao seu jeito. Com a miséria moral que vai por essa Europa, é fácil de ver que “lá como cá, más fadas há”.
Um Observatório da Publicidade para que serve? Só para detectar publicidade escondida e aplicar coimas? Se é assim, é bem pouco, embora mais rentável para o senhor Ministro das Finanças. O que se publicita, o modo como se faz e como se envenena o ambiente social, também tem a ver com este órgão, ou ele é apenas mais uma mão estendida do fisco?
Diz-se que não se pode haver censura, que estamos num regime livre. Livre? Não é isso que se vê sempre. Há opiniões logo castigadas pelo poder político, e sanções inevitáveis para quem critica ou pensa de modo diverso. Está à vista de quem está atento.
Igualmente preocupante é ver autarquias a lutar pela abertura de casinos no seu território e a publicitar espectáculos para toda a gente, próprios (ou impróprios?) de casas que não podem admitir menores. Assim vai a sociedade. E o Observatório da Publicidade que diz a tudo isto?
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 05 Outubro , 2006, 08:40
Assinado protocolo
de cooperação com o MAI

Comissão Nacional Justiça e Paz
promove acções de desarmamento

A presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), Manuela Silva, disse que a nova Lei das Armas “é muito importante, porque encoraja a legalização das armas ilegais ou a sua entrega” ao Estado, através das forças de segurança.
“O nosso compromisso é pugnar para que a sociedade portuguesa seja segura e livre de armas”, declarou Manuela Silva, citada pela agência Lusa, para justificar a assinatura do protocolo com o Ministério da Administração Interna, visando “a difusão da lei”, nomeadamente junto de crianças e jovens, como meio de chegar aos adultos.
A presidente da CNJP falava à margem do acto de assinatura de um “protocolo de cooperação” entre o Ministério da Administração Interna (MAI) e o Observatório sobre Produção, Comércio e Proliferação de Armas, da CNJP, para o desenvolvimento de acções de informação e sensibilização com vista à legalização ou entrega voluntária de armas.
A CNJP vai organizar, já no próximo dia 28 de Outubro, uma festa para crianças e jovens, com o tema: “Por uma Sociedade sem armas: Desarmar os corações”. Numa carta explicativa enviada a todos os parceiros, a presidente da CNPJ, Manuela Silva, afirma que “esta iniciativa vem na sequência de diversos trabalhos para sensibilizar a opinião pública sobre a problemática da proliferação das armas no nosso País e, por outro lado, integra-se na campanha de entrega voluntária de armas que o Governo está a promover, após regulamentação da recente Lei sobre o uso e porte de armas”.
“Com esta festa queremos mostrar que é possível vivermos numa sociedade segura porque é livre de armas. Para isso, vamos começar por mostrar a nossa vontade de desarmar os corações, dar o primeiro sinal de que é possível construir uma sociedade mais livre, justa e segura”, prossegue.
O espectáculo tem lugar no Fórum Lisboa (Avenida de Roma) das 15 às 17h, no dia 28 de Outubro.
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 05 Outubro , 2006, 08:29


SONHO
DE UMA NOITE
DE OUTONO
NA RIA
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“Sonho de uma noite de Outono na Ria” é o título da gala de encerramento do programa SorRia – Iªs Jornadas da Ria de Aveiro. O espectáculo realiza-se no sábado, 7 de Outubro, pelas 21.30 horas, no Teatro Aveirense.
Os bilhetes oscilam entre três e dez euros e estão à venda no Teatro Aveirense, entre 13 e as 20 horas.
Na gala estreiam-se três obras de três expressões artísticas: bailado, música e teatro. As interpretações são feitas por entidades, grupos e artistas aveirenses, em exclusivo.
Um espectáculo pensado para agradar aos amantes das artes. A não perder.
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 05 Outubro , 2006, 08:23
Vida de Estudante,
há tempo e lugar?

1. A vida actual está transformada numa corrida, mesmo para quem tem mais oportunidade para a gestão do seu tempo. De hábito em hábito, de novidade em novidade, com novas e novíssimas formas de comunicar mais e mais… corremos para acompanhar os “acontecimentos” do mundo; e a vida vai-se transformando numa roda-viva sem que, porventura, essa viagem apressada seja acompanhada da devida pausa e reflexão. Não será por acaso que muita da análise da vida da sociedade nos nossos dias vai demonstrando e fundamentando uma menor qualidade de pensamento, ausência de “filosofias” / ideais de vida, e por isso de acção em qualidade. E decisão e acção que não é bem pensada, reflectida, ponderada, pode acabar por se traduzir no popular “quanto mais depressa, mais devagar!”
Também não é alternativa, diante da realidade nova, viver saudosista do passado, mantendo as âncoras agarradas às seguranças de outrora; não, de modo nenhum! O mundo presente, com os seus valores e também contravalores, como afinal em todas as épocas de civilização humana, desafia-nos a reinterpretar os sinais e a “acender” no tempo presente as luzes da esperança para sabermos onde queremos chegar. Isso mesmo, no meio de tudo o essencial será mesmo saber o que se quer e que passos dar para a realização desse caminho!
2. Algo que nos preocupa, diariamente, são precisamente as noções de “tempo” e “lugar” para as “coisas” mais importantes da vida. Todos o sabemos e as instâncias associativas e culturais ligadas à vida colectiva sentem-no na “pele”, é preocupante a indiferença, a passividade intermitente e incolor, a “ausência”; hoje, mais que nunca, investe-se imenso em comunicar, publicitar, convidar, no passar da mensagem que convença à participação, mas sabe-se à partida, que o terreno é complexo e não há receita que funcione automaticamente. As coisas são como são!
As noções de “pertença à comunidade” vão-se esbatendo. Por um lado será bom que o cidadão e Portugal não fique “fechado” neste “canto à beira-mar” mas seja cidadão da Europa e do Mundo… Mas não nos iludamos, pois não é disso de que se trata. O cidadão está a esquecer a “cidade” e, no meio de toda a mega-informação e comunicação, não estamos a conseguir passar a mensagem que o ligue mais à realidade; o cidadão “navegando” pelo mundo inteiro na Net acaba, depois, por ficar fechado no seu mundo e esquecendo que a “cidade” precisa do contributo positivo de todos.
3. Há “tempo” e “lugar” para a cultura, para ir crescendo por dentro um pouco todos os dias (afinal, o que nos fica como síntese das “coisas” que dizemos e fazemos)? Há tempo e lugar para pensar a VIDA e os seus ideais? No final de contas, há oportunidade, ainda, para o universalizar da ética e da cultura da dignidade humana, bases estruturantes da vida social? Também o mundo do Ensino Superior (em Portugal) vive tempos novos. Estes, na harmonização do espaço único de Ensino Europeu (Protocolo de Bolonha), trazem um mundo de possibilidades de parceria europeia mas, naturalmente, também uma série acrescida de preocupações e desafios a superar.
É uma realidade irreversível já preparada há longos anos e que agora vai chegando à vida do ensino e da sociedade; sem ilusões e sem medos, eis que está o desafio à descer à vida real. Licenciaturas em três anos; com 21 anos jovens apresenta-se proximamente ao mercado de trabalho; cada ano lectivo ganha mais importância; não há tempo para distracções; cada semana, cada mês de aulas passam num instante; sobe, mais ainda, o ritmo da vida, onde a “higiene do sono” e a serenidade são desafio de cada dia; faltará, mais ainda o tempo para a participação.
4. Três anos de curso superior passam num “instante”, nesta nova realidade que é um facto e que toda a sociedade em geral ir-se-á adaptar com naturalidade. Mas…que jovens sairão para a vida activa? Que “amor” e consciência de pertença à instituição e cidade onde estudam? Que tempo e lugar para a outra face da vida…a humana, pessoal, co-responsabilidade social? Que amadurecimento pessoal e dos conteúdos?...
Ficando-nos a certeza de que perguntar e problematizar ajuda a reinventar caminhos de adaptação à nova realidade, temos a sensação de que “três anos” não chegam para ficar “saudade” das pessoas, do lugar e tempo vividos, das instituições; “saudade”, sentimento académico este que terá os dias contados…? Não somos saudosistas, de modo algum, mas nessa palavra está toda uma carga de “pertença” essencial e que, naturalmente, irá esbater-se pois não há “tempo”. Estamos, pois, diante de uma nova realidade que poderá, mais ainda, desagregar e dificultar todo o espírito de cultura e vida social – do SER PESSOA EM SOCIEDADE - para os homens do amanhã. Estes daqui a anos, que farão a gestão da sociedade nas suas mais variadas instituições, terão, mais ainda, pela pressa do estudo e da vida, uma menor visão de conjunto da vida e da realidade. Será isto realidade?
Em tempos em que não há “tempo” nem “lugar”, parar e pensar sobre como reinventar caminhos diante deste novo paradigma de Bolonha é também um desafio premente que todos temos e que é contributo essencial à própria humanização da sociedade do amanhã. Afinal, sendo o futuro que está em causa, que outra realidade é mais importante (devendo por isso “mobilizar” todas as forças e sinergias)?...
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